Semana passada
começamos a estudar esse Sermão de Jesus, e hoje passaremos a tratar das
bem-aventuranças, a saber: “Bem-aventurados os pobres no espírito, porque deles
é o reino dos céus” (Mt. 5:3).
Esse sermão não foi
feito de qualquer maneira, nosso Senhor organizou de maneira que uma seqüência
fosse apresentada aos seus ouvintes, poderíamos afirmar sem medo de errar que
tal seqüência é lógica e espiritual. Começar o sermão com essa característica é
providencial, e tem uma excelente razão, pois ninguém pode entrar nos Reino dos
céus, chamado também de Reino de Deus, se não for possuidor dessa qualidade.
Uma segunda motivação
que temos encontrado é que essa qualidade é a porta para as demais, todas as
características dependem do cumprimento dela.
Pobres
ou humildes?
Na verdade o texto
original grego aparece a palavra pobre, não podemos negar isso, mas que foi mal
entendido pela a maioria dos comentadores da Igreja Católica Romana, bem como
por anglicanos, que interpretam tal passagem como pobreza de bens materiais
para poderem defender seus votos de pobreza.
Porém, ao analisarmos
essa argumentação dos católicos encontramos alguns problemas:
A-
No Antigo Testamento a palavra “pobre”
era usada muitas vezes no sentido de passar necessidades de bens materiais, o
que levaria uma pessoa a ter seu único
refúgio em Deus, portanto transmitido a idéia muita mais de humildade, do
que de pobreza. Essa verdade é vista também no termo “aflito”, que tem a
intenção de apontar para aquele que esta sofrendo
e não pode salvar-se por si mesmo.
B- Existem aqueles que dizem que este
versículo deveria ter sido traduzido como segue: “Bem-aventurados em espírito são os pobres”. E parece que eles contam
com determinada dose de apoio, nessa sua opinião, quando apelam para a passagem
paralela, isto é, Lucas 6:20, onde se lê: “Bem-aventurados vós, os pobres...” e
onde não se faz qualquer alusão aos “humildes de espírito” ou aos “pobres de
espírito” (conforme dizem outras versões). Destarte, consideram as palavras
desta bem-aventurança um elogio a pobreza. Não há que duvidar, porém, que os
tais estão enganados. Porquanto em parte alguma as Escrituras ensinam ser a
pobreza algo tão bom assim. Um homem pobre não está mais próximo do reino dos
céus do que um homem rico, se é que estamos falando deles como homens naturais.
Não há mérito nem vantagem na pobreza. A pobreza não serve de garantia de
espiritualidade. Assim sendo, é patente que essa passagem não pode estar
ensinando tal conceito. Além disso, se considerarmos aquele parágrafo inteiro
de Lucas 6; penso que se tornará perfeitamente claro que nosso Senhor estava se
referindo ali aos “humildes”, ou seja, àqueles que “não exibem o jactancioso
espírito do mundo”, por assim dizer, pobres somente no sentido que eles não
dependem das riquezas matérias. Essa a atitude que ali é condenada, essa
dependência as riquezas matérias propriamente ditas. Como é obvio, entretanto,
há muitas pessoas pobres que dependem das riquezas exatamente como fazem muitas
pessoas ricas.( Martyn Lloyd-Jones, Estudos no Sermão do Monte)
C- Outra
questão que deve ser levada em consideração é que na construção da frase na
língua grega encontramos a seguinte ligação: “Pobres no espírito”, portanto em
nenhuma hipótese a pobreza referida no texto está ligada aos bens materiais e
sim á uma disposição espiritual do individuo.
O
que então é ser pobre no espírito?
Ser pobre no espírito é
o mesmo de ser humilde. Essa humildade
está ligada ao sentimento de reconhecer nossa condição de pobreza, de falência
espiritual perante a pessoa de Deus. Portanto, nada temos a oferecer, nada a
reivindicar, nada com que comprar o favor dos céus.
A-
Ser humilde considerado de maneira
negativa:
-
Ser humilde não é ser fraco, tímido, retraído ou acovardado.
-
Ser humilde não é viver uma falsa
humildade. Quem se gloria em ser humilde, já o deixou de ser. Outro
exemplo, muitas vezes tal músico da igreja é elogiado por tocar bem, mas ao
receber tal congratulação, ele age de maneira a não querer aceitar o elogio,
pois acha que essa atitude mostrará que ele é humilde, isso é o que chamamos de
falsa humildade.
-
Ser humilde não é ter uma má compreensão daquilo que Deus faz através de sua
vida, ou seja, Deus usa a quem quer, portanto ter consciência que esta sendo
usado por Deus não significa que você está sendo orgulhoso.
Portanto ser humilde é
reconhecer nossas limitações que são expressas nos seguintes termos:
A-
Sou limitado quanto a minha salvação.
Sou
totalmente depravado e em mim não há nenhuma força que me leve ao encontro de
Deus. Se não for sua graça e misericórdia me atraírem, nada poderei fazer para
me aproximar Dele. Nem mesmo buscar a santificação permanecer dela depende de
mim, pois sou miserável pecador.
B-
Sou limitado quanto ao serviço.
Não
posso realizar nenhuma tarefa proposta a mim pelo salvador sem a ajuda de seu
Santo Espírito. Nenhum dom natural, nem uma capacitação adquirida pelo estudo
podem me fazer capaz de servir ao Senhor da maneira que lhe agrade.
Como podemos perceber
então se somos realmente humildes de espírito? A resposta é simples: Vivo
tentando fazer as coisas por minhas próprias forças pensando eu que sou capaz
de resolvê-las? Agindo dessa maneira, não estou declarando minha dependência de
Deus, então a mim falta a humildade do espírito.




