sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A PARÁBOLA DE LUCAS 15

Normalmente esse tão conhecido capítulo da Bíblia é quebrado em pedaços por escritores e pregadores, que tratam dele como possuidor de três parábolas preciosas e distintas: a da ovelha perdida (1-7), a da dracma perdida (8-10) e a do filho perdido (11-32).
Na realidade, porém, o capítulo todo é somente uma parábola com três figuras. Não há interrupções nos versículos. Uma ilustração flui para dentro da outra. Portanto, quando lemos: “Jesus lhes propôs esta parábola” (Lc 15:3), a forma singular, “esta parábola” significa que o capítulo inteiro constitui essa única narrativa. Há níveis que se sucedem na parábola, mas não há interrupção. As ilustrações que Jesus usou nela fundem-se e combinam umas com as outras.
Para clarear mais essa verdade observemos os versículos 3, 8, 11; As expressões inicias desses versículos deixam nítida a intenção de Jesus, ou seja, contar uma parábola, com três figuras distintas, mas que se completam. A parábola de Lucas 15 pode ser compreendida como uma pirâmide, na qual existem inscrições diferentes em cada lado, mas no fim formam uma só pirâmide.
È possível fazer uma interpretação ou colher verdades quando olhamos cada figura dessa parábola de forma individual? Sim, é possível, porém somente teremos uma visão ampla desse ensino de Jesus quando analisarmos as figuras como um todo.

CONTEXTO DA PARÁBOLA.

Quando Jesus pronunciava seus ensinamentos por meio de parábolas sempre havia um contexto para isso, e em Lucas 15 não é diferente. Observe os versículos 1 e 2, Jesus ensinava a publicanos e pecadores, e por isso recebe uma critica dos fariseus e dos mestres da lei.
Para os judeus daquela época existiam dois grupos sociais que eram menosprezados e separados da comunidade judaica, os publicanos e as prostitutas, ambos pelo mesmo motivo. As prostituas vendiam seu corpo, e os publicanos, judeus que trabalhavam para o império romano fazendo a cobrança dos impostos, que haviam se vendido para os opressores dos judeus.
Não podemos negar que no final do ministério de Jesus os pecadores realmente o ouviam com o coração aberto, já que tinham consciência de que realmente eram pecadores e precisavam ser salvos, eles viam até Jesus com o coração quebrantado enquanto os fariseus viam cheios de si mesmos, sem reconhecer a situação deles e baseando sua salvação em suas próprias obras. Essa narrativa foi dirigida então aos representantes da religiosidade da época.

COMPRENDENDO A PARÁBOLA.

A parábola apresenta três figuras que estão perdidas, porém cada uma delas se perdeu de maneira diferente.
A ovelha perdida se perdeu porque foi curiosa. Ela tinha pasto, tinha abrigo e proteção do pastor, porém ela resolveu ir alem dos limites estipulados pelo pastor e assim acabou perdida. A ovelha representa aquelas pessoas tolas que acham que podem caminhar sem rumo, sem se congregar, sem estar em comunidade, e assim acabam por se afastar de Deus.
A moeda estava perdida, mas por não ser uma criatura viva não tinha consciência de estar extraviada. A moeda não sofreu nenhum dano ao estar naquela situação, por isso não fazia diferença para ela. Essa figura nos mostra aquelas pessoas que estão perdidas indo para o inferno e não tem consciência desse fato.
O filho estava perdido porque decidiu deliberadamente, conscientemente se perder. Ele era culpado por sua teimosia. A ovelha também tinha culpa, porém parece-me que o filho era mais culpado, pois acredito que o pai tentou avisá-lo, tentou impedi-lo, mas ele continuou firme em sua decisão de se afastar da casa do pai. O filho representa aqueles que sabem da verdade, mas escolhem se afastar de Deus.
A parábola apresenta três tipos de ação.
Na figura da ovelha que se perde o pastor vai atrás.
Na figura da dracma algo impulsiona a mulher.
Na figura do filho é ele que decide voltar.
A parábola apresenta com perfeição a ação divina na salvação do homem.
Deus não tem prazer na desgraça humana, não tem prazer no afastamento do homem, e sendo assim ele tem o interesse em resgatar aquele que se perdeu.
Não importa o que levou aquela pessoa a se perder, talvez a curiosidade, talvez a displicência ou ate mesmo uma rebeldia deliberada, a trindade está disposta a salvar aquele que se perdeu.
Na figura do pastor que vai atrás da ovelha, podemos ver a pessoa de Jesus. A palavra diz que o bom pastor é Aquele que dá a vida pela ovelha. Jesus afirma que ele é o bom pastor. Imagine o preço que aquele pastor da parábola teve que pagar. Ele caminhou, ele se esforçou, ele poderia ter abandonado aquela ovelha, ele tinha outras noventa e nove, ela representava apenas 1%, mas mesmo assim ele padeceu por aquela ovelha.
Na figura da mulher que procura a moeda podemos ver o zelo divino. Observo também a própria ação do Espírito que impulsiona a pessoa a se converter.
Alguns detalhes interessantes sobre essa dracma.
O que fez essa mulher se dedicar tanto a procurar essa dracma?
Possibilidade 1: A mulher era pobre. Embora a dracma não tivesse tanto valor fazia diferença no orçamento domestico.
Possibilidade 2: As mulheres usavam um véu ou tiara que continha dez moedas representando ou casamento ou noivado. Para essa mulher talvez a moeda tivesse um valor sentimental.
Perdida dentro de casa?
Isso implica pessoas perdidas dentro da igreja ou muitas vezes dentro do nosso lar.
Na figura do filho que retorna, podemos ver a ação de homem em retornar. Foi o filho que decidiu voltar. Porém o que mais me chama a atenção foi como o pai o recebeu.
O pai não jogou na cara o erro do filho, mas o recebeu, e comemorou sua volta.
Não podemos dizer se existe alguma verdade ligada às vestimentas dadas ao filho, porém o que podemos afirmar é que as vestimentas como o calçado não eram de servo, mas sim de filho, o anel representava a autoridade que ele como filho havia recuperado.

CONCLUSÃO: Romanos 8: 26-39 nos relembra essa ação da trindade em nosso favor. O Deus filho que morre, ressuscita e advoga em nosso favor, o Espírito que convence e intercede, e Deus pai que nos recebe como filhos amados.
Será que estamos agindo como os fariseus e mestres da lei, que não aceitavam que a salvação também era para aqueles que eram considerados a escoria da sociedade?

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Jean Abner,
    Usei dois livros: Todas as parábolas da Bíblia. Hebert Locke. Ed. Vida./ As parábolas de Jesus. Simom kistemaker. Ed. Cultura Cristã.

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  3. Gostei do testo amigo. Ajudou-me em uma palestra que vou ter que dar hoje. Deus te abençoe.

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  4. Gostei muito do testo amigo. Deus te abençoe cada dia.

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  5. Gostei,da maneira clara e simples, como foi a interpretação de Lucas 15.Deus abençoe!

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