sexta-feira, 14 de março de 2014

O BRASIL NÃO É MAIS UM CELEIRO MISSIONÁRIO




 Por Leonardo Gonçalves

Conheci a Cristo no final dos anos 90. Minha experiência de conversão se deu em uma igreja batista recém-plantada na minha cidade. Meu batismo e minha experiência de discípulo começou no inicio do ano 2000, na igreja Assembleia de Deus. Eu vivi uma parte do movimento AD2000 (1) e da chamada  “Década da Colheita” (2), e de certa forma toda minha geração foi influenciada por estes movimentos.  Uma e outra vez, escutávamos a frase: “O Brasil é um grande celeiro de missionário”. Por nossa pequena igreja passavam alunos da “Missão Horizontes” falando sobre a janela 10/40 e sobre como o brasileiro gasta mais com Coca-cola do que com o Reino de Deus. Após o culto, nós doávamos aquilo que tínhamos para as missões. Lembro-me de um diácono pobre doando um relógio a um missionário que havia perdido o seu em uma viagem de barco na Amazônia. Lembro-me também de um amigo que constrangido pela necessidade da obra e sem nada para doar, tirou dos pés um par de tênis Nike e colocou sobre o altar, voltando para casa descalço depois do culto. A gente dava o que tinha, e não era por causa de alguma promessa de retorno financeiro (como nas campanhas dos televangelistas atuais), mas simplesmente por amor e desejo de ver o evangelho avançando entre as nações da terra. Os jovens da igreja (e eu era um deles) eram muito ativos: organizavam jograis e teatros com temas missionários, e muitos de nós queríamos ser pastores ou missionários. Hoje, vários daqueles jovens com os quais cresci são pastores, evangelistas, missionários, obreiros em suas igrejas locais, e estão envolvidos de alguma forma com a grande comissão.

UMA IGREJA QUE RESPIRAVA MISSÕES

Mas eu não consigo escrever este texto sem lágrimas nos olhos. Agora mesmo, sinto o peito doer e meus olhos se enchem de água ao me lembrar daqueles dias quando a gente vivia de maneira tão intensa, organizávamos vigílias, acampamentos de oração, visitávamos, evangelizávamos de verdade. Conheço um jovem em Cristo que aos 16 anos tinha uma rotina invejável: Ele fazia semanalmente visitas no hospital da nossa pequena cidade, e saia dali direto para o asilo contrabandeando doces e bíblias para os anciãos com quem passava parte do seu domingo. Por volta das 4 horas da tarde saia dali com outros meninos da sua idade, numa kombi velha da wolksvagen para realizar visitas em uma comunidade rural e "cooperar" com os irmãos de lá. As vezes a Kombi não vinha, e eles faziam o trajeto de 18 quilômetros de bicicleta. Quando chegavam a cidade novamente, era para tomar um banho e ir ao culto, ansiosos por ouvir a Palavra pregada e dispostos a participar, seja cantando, pregando, limpando ou fazendo qualquer outra coisa na igreja local. Durante a semana, ele e outros eram voluntários no “Desafio Jovem Liberdade” – centro de recuperação para usuários de drogas – muitas vezes saindo do trabalho direto para lá, para ensinar violão, passar algum tempo de comunhão com os internos e pregar no culto da noite. Esses rapazes respiravam missões.  

Na época, surgiam seminários com cursos rápidos, em média 2 anos, em regime de internato, onde a ênfase não era apenas preparar teólogos, mas obreiros. Trabalhavam-se questões como caráter, perseverança, domínio próprio, obediência, e grande parte das disciplinas do curso eram de viés missionário. Éramos confrontados com as biografias de William Carey, David Brainerd, Hudson Taylor, Adoniran Judson, George Miller, e nos inspirávamos neles. Criticava-se o modelo de seminário que formava apenas teólogos e falava-se muito em vocação ministerial. Escutávamos uma e outra vez que ser pastor é um dom e não uma profissão, e que o ministério é muito mais dar do que receber. O ponto alto das aulas era quando por lá passava algum missionário em transito, e contava as experiências vividas naquela terra desconhecida. Lembro-me de ter ouvido um desses missionários falando sobre o país dos Incas, e de como me senti desafiado pelo testemunho daquele jovem obreiro. À noite, enquanto orava por aquele país, discerni claramente a voz de Deus falando fortemente ao meu coração: “Eu te levarei ao Peru!”. Cai em pranto, sentindo um misto de temor e imensa alegria, pelo peso da responsabilidade e pela honra recebida. Sai do meu país em 2003, quando ainda se vivia a ressaca destes movimentos.

JOVENS QUE NÃO ALMEJAM O MINISTÉRIO

Hoje a igreja evangélica definitivamente não é a mesma. Ela nem sequer se parece com aquela igreja de 15 anos atrás. Cada vez que viajo ao Brasil, fico absorto com a secularização cada vez maior da igreja. Vejo uma igreja rica, muito rica, mas tremendamente ensimesmada. Em círculos tradicionais e na ala pentecostal clássica, pouco se fala em evangelismo e missões. Já os neopentecostais distorceram o conceito de evangelismo e missões transformando a igreja em uma pirâmide e implementando visões celulares das mais absurdas, substituindo paixão missionária por obediência cega a um líder autoritário. Se antes os jovens desejavam o ministério, a geração atual foge dele. É comum ver rapazes de moças de vinte e poucos anos com altos salários, comprando carros importados, fundando empresas, empreendendo e ganhando muito dinheiro. Os pastores destas igrejas sofrem, pois tem que se desdobrar em mil ofícios para atender as necessidades do rebanho, já que ninguém quer se envolver no ministério e sacrificar as horas de descanso para cuidar das necessidades alheias. Alguns poucos ainda ousam se envolver com missões, mas raramente em tempo integral. Ao invés disso, doam parte das suas férias para servir em algum país exótico, e passam 4 ou 5 dias visitando alguma igreja local,  e o resto das férias em alguma praia paradisíaca do Índico ou do Pacífico. Não trabalham nada, mas tiram umas quinhentas fotos com crianças locais e chegam a suas igrejas com testemunhos fantasmagóricos acerca de como salvaram o mundo em seis dias e ensinaram os pastores e missionários locais a pastorearem suas igrejas. 

MISSIÓLOGOS DE INTERNET QUE NUNCA SE ENVOLVERAM COM MISSOES

O conceito de missão tem sido banalizado por uma geração hedonista mais preocupada com seus prazeres do que com glorificar o Cristo entre as nações. Para justificar sua falta de coragem para encarar o campo missionário, criam-se as mais distintas agencias missionárias, muitas das quais não enviam e nem sustentam nenhum missionário, dedicando-se apenas a recrutar voluntários para viagens de ferias, exatamente do tipo que mencionei no último parágrafo. Diga-se de passagem, o dinheiro gasto por uma equipe de voluntários de férias, se fosse doado integralmente a alguma missão séria que trabalhe entre os autóctones, daria para sustentar cerca de 10 obreiros durante um ano. Crer que 20 brasileiros em uma semana podem fazer um melhor trabalho que um obreiro nacional em um ano é um sofisma, mas parece ser este o pensamento predominante nessas missões recém-criadas no Brasil (as exceções conformam a regra).

Embora não estejamos mais tão engajados com missões transculturais, nunca tivemos tantos “ESPECIALISTAS” em missões! Meninos de vinte anos, com pouca ou nenhuma formação teológica, sem experiência de vida ou ministério e cujo maior esforço missionário foi falar de Jesus para o colega de classe, editam blogs e vlogs, dão opiniões e organizam conferencias missionárias onde eles mesmos são os preletores. Recentemente um desses palpiteiros da internet, um garoto de 20 anos, escreveu um livro sobre missões. Muita gente elogiou a atitude do rapaz e não encontrei ninguém, nem mesmo entre a velha guarda evangélica (que também é ativa nas redes sociais) para colocar freio na arrogância do moleque que escreveu suas 120 paginas sobre um assunto que ele nunca experimentou de fato. Há algum tempo recebi duas equipes de voluntários na cidade de Piura, onde desde 2008 temos desenvolvido alguns projetos missionários. Um dos rapazes que nos visitou, ainda nem tinha barba no rosto, mas logo se apresentou como consultor em missões. Segundo ele, varias igrejas no Brasil contam com seus conhecimentos de consultoria. Isso me parece estranho, se considerarmos que ele nunca foi missionário de fato, apenas participou de algumas palestras com ênfase na famigerada e pouco eficaz Missão Integral (3). Recebi deste garoto que nunca fez missões, diversos conselhos sobre como treinar meus obreiros e torná-los mais efetivos. Outros chegam já satanizando a cultura, tendo visões esquisitas acerca de demônios territoriais e correntes que estão aprisionando nossa igreja e missão, algo muito esquisito e sem bases bíblicas em minha opinião. 

UMA JUVENTUDE QUE QUER ENSINAR, MAS NÃO SE PRONTIFICA A APRENDER

Durante os dois últimos meses visitei varias igrejas no Brasil e por onde passei, desafiei pessoas para virem ao campo missionário no Peru, e o máximo que consegui foram uns garotos meio-hippies dispostos a vir salvar o mundo em uma semana e ensinar os pastores a pastorear suas igrejas. Todos os rapazes com quem falei queriam vir e ditar seminários, palestras, conferências, treinamento para pastores, e não atentavam para o ridículo das suas propostas, já que eles mesmos nunca pastorearam nem suas próprias famílias. No entanto, nenhum deles se mostrou disposto a passar ao menos um ano trabalhando de forma sistemática e fiel junto aos nativos, participando da vida, da luta e das dores do povo, compartilhando a comida e vivendo a verdadeira essência da missão. Todos queriam ensinar, ninguém estava disposto a viver. Todos queriam vir e impor; ninguém estava disposto a vir, viver e receber. Todos queriam formar obreiros, ninguém queria ser formado como obreiro. Todos queriam vir correndo e voltar; ninguém estava disposto a vir e permanecer. Cada um tinha uma visão diferente para a igreja peruana, mesmo sem ter conhecido de perto este campo missionário. Todos tinham receitas exatas para fortalecer o ministério local, mas ninguém queria servir no ministério. Muitos reis, nenhum servo. Como diria o pastor Kolenda, de saudosa memória, simplesmente “muito cacique para pouco índio”.

UMA IGREJA SECULARIZADA QUE NÃO AMA MISSOES

Não posso dizer exatamente onde foi que a igreja errou (não se preocupem, deve ter algum conferencista de vinte anos capaz de decifrar este mistério!). Porém, mesmo sem saber exatamente, acredito que alguns fatores são visíveis e fáceis de discernir: economia estável, bons empregos, oportunidade de fazer duas, três, quatro faculdades, anos de pregação antropocêntrica que exclui o sacrifício como parte da experiência cristã, tudo isso contribuiu para uma horrível secularização da igreja. Se eu fosse dispensacionalista, não teria dificuldade em aceitar que a igreja está vivendo a “Era de Laodicéia”. A igreja de Laodiceia e a igreja brasileira são irmãs: As duas são ricas materialmente, ensimesmadas, autossuficientes. As duas estão corroídas pelo pecado, empobrecidas de galardão e cegas quanto a sua real situação.  Se há algumas décadas dizia-se que o Brasil era um celeiro de missões, hoje tenho certeza que este título deve pertencer a algum outro país: China, Índia, Coreia do Sul, talvez... Mas definitivamente, esse título já não se pode aplicar ao Brasil.

***
Leonardo Gonçalves é missionario há 11 anos. Neste período ajudou a plantar e consolidar igrejas no Brasil, Argentina (Patagonia e provincia de missiones), e no norte de Peru. Desde 2008 vive na cidade de Piura, envolvendo-se na plantação de 7 igrejas autóctones. O Projeto Piura sustenta hoje 6 obreiros autoctones e ajuda a 60 crianças provindas de comunidades carentes do Peru.

________________________
NOTAS:
1. O Movimento Ano 2000 (AD 2000) surgiu de uma reunião em janeiro de 1989, em Singapura, onde foi realiazada uma Consulta Global de Evangelização Mundial para o ano 2000 e Além. Esta consulta deu origem ao movimento denominado AD 2000, cujo enfoque eram os povos não alcançados da chamada ‘janela 10/40’.
2. A Década da Colheita foi o resultado de um encontro de líderes das Assembleias de realizado nos Estados Unidos, em 1988. Foram também estabelecidas metas bem claras para a AD no Brasil, para serem alcançadas até o ano 2000: (1) Levantar um exército de três milhões de intercessores; (2) Ganhar 50 milhões de almas para Cristo; (3) Preparar 100 mil obreiros dispostos a trabalhar na seara do Mestre. (4) Estabelecer 50 mil novas igrejas em todo o Brasil; e (5) Enviar novos missionários para outras nações.
3. Não é que eu me oponha totalmente a Missão Integral. Minha crítica a este movimento pode ser resumida em poucos pontos: (1) A terminologia Missão Integral é, por si, uma redundância. Se é missão cristã, deve ser integral, e se não for integral (no sentido de total), não é missão. (2) Os promotores da Missão Integral no Brasil parecem se inspirar mais no marxismo do que na Bíblia. Um dos líderes desse movimento chega a apresentar o comunismo como uma ideia bíblica de comunidade. Ora, confundir comunidade cristã com uma ideologia que foi responsável por milhões de mortes no mundo, incluindo muitos cristãos, é uma boçalidade. (3) O discurso da Missão Integral tem servido de plataforma política para ideias esquerdistas, e sua super-ênfase no social tem levado alguns a pregar um conceito que beira a salvação pelas obras, algo abominável do ponto de vista bíblico. (4) Nunca vi um leprosário criado ou mantido por adeptos da Missão Integral.  

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Em Busca da renovação Espiritual. Ageu 1:1 – 2:9



Para entendermos a mensagem desse livro precisamos compreender o plano de fundo histórico desse livro. Israel havia se dividido e o reino do norte havia sido conquistados pelos Assírios e desapareceram na história da humanidade. O reino do sul por sua vez havia sido conquistado pelos babilônicos que destruíram o templo em Jerusalém e juntamente com ele toda a cidade. Os muros foram destruídos, o templo igualmente, os utensílios do templo sido levados a Babilônia e colocados em templos pagãos.
Depois de 70 anos de cativeiro o Senhor começa a mudar a história de Israel. Para que se cumprisse sua palavra vinda por meio do profeta Jeremias (25:11-12/ 29:10). Nesse período da história é que se encontram os livros de Esdras e Ageu.
O primeiro passo era reconstruir o templo que havia sido destruído, mas logo após o inicio dessa reconstrução um levante por parte dos inimigos de Jerusalém faz com que a construção fique parada por 18 anos (Esdras 4 e 5). Nesse momento é que surgem na história de Judá e de Jerusalém dois profetas escritores, Zacarias e Ageu.
Ageu traz a Palavra de Deus para aquela nação. Uma palavra diretiva para aquele momento de reconstrução. Essa palavra de Ageu se aplica perfeitamente a vida daqueles que querem experimentar coisas novas e profundas de Deus. A palavra de Ageu nos ensina como podemos viver esse tempo de reconstrução espiritual em nossas vidas.
Muitos nessa noite, que estão aqui nesse lugar têm vivido uma vida espiritual de fachada. Estão destruídos, frios espiritualmente, e não entendem o porque disso. Outros não conseguem sair do fundo do poço espiritual que se meteram. Não encontram força, nem ânimo, e quando ouvem palavras como essa que o Senhor tem nos dado esses dias de que um novo tempo chegou sobre nós, pensam que não é verdade, ou simplesmente não consegue vivenciar isso em suas vidas. Isso produz em nós mais desânimo, mais frieza, vontade de desistir, vontade de largar tudo.
 Muitos dizem: “No passado eu era fogo puro. Mas agora estou só o pó”. Não adianta eu não consigo sair dessa situação. O que me impressiona não é isso, pois esses fatos são comuns, o que me chama atenção é que Deus mesmo assim tem nos chamado para esse novo tempo. Deus não para de falar sobre isso.
Os habitantes de Jerusalém estavam vivendo um momento muito parecido, então Deus levanta seus profetas para anunciarem a solução para a problemática que eles estavam vivenciando.
Essa noite lhe convido a abrir seu coração, sua mente para que possamos ser ensinados pelo Espírito de Deus, sobre como podemos reconstruir nossa vida espiritual.


1-    Quando estamos buscando um tempo de restauração espiritual sempre nos depararemos com pessoas que com suas atitudes querem nos desencorajar. Ageu 2:2-3
Vivemos cercados por todo tipo de pessoa e muitas vezes nos esquecemos que nem todos aqueles que dizem ser do Senhor são realmente de Deus. Muitos estão até dentro da obra, mas o Deus da obra não está neles.
Devemos ter isso em mente, pois com frequência satanás usa a língua de alguns para nos desmotivar, ou até mesmo nos tirar do caminho que Deus deseja para as nossas vidas.
Essas pessoas sempre usam frases como:
_ Para que tudo isso? Não a mínima necessidade de orar tanto.
_ Vixe, agora vai morar na igreja?
_ Vai perder sua vida por causa da igreja.
_ Não se preocupe, Deus entende seu cansaço e desânimo.
Foi justamente o que aconteceu no período da reconstrução do templo. Após quase um ano trabalhando, o povo começou a desanimar porque o novo templo era muito inferior ao templo de Salomão. Não podemos negar que já não havia tanto luxo, tanto ouro ou pedras preciosas, mas isso era o que menos importava naquele momento. A grande importância estava relacionada com a volta do culto a Deus.
O povo começou a desmotivar os que trabalhavam e que buscavam agradar a Deus reconstruindo o templo, dessa maneira restabelecendo a adoração a Deus, afirmando que o templo não tinha tanta pompa como antes. Quando os mais velhos quando comparavam o antigo templo com o novo o consideravam menor, sem valor, quase nada. Esdras retrata bem isso em 3:12 Mas muitos dos sacerdotes, dos levitas e dos líderes de família mais velhos, que tinham visto o antigo templo, choraram em voz alta quando viram o lançamento dos alicerces desse templo; muitos, porém, gritavam de alegria.”
Essa atitude negativa produziu um efeito desencorajador nos trabalhadores mais jovens. Ageu, portanto, passou a encorajá-los e a exortar os líderes e o povo. Seu questionamento aparece no versículo 2:3 quando ele questiona: Quem de vocês viu a glória do primeiro templo? Já fazia 70 anos que o templo de Salomão havia sido destruído, portanto a maioria não tinha visto o templo em seu esplendor, ou não lembravam porque eram crianças.
Os mais antigos estavam atravancados em seu pensamento, eles não entendiam a real importância de ter um lugar para adorar. O mais importante não era a suntuosidade do local, mas a adoração que seria prestada naquele local.
Pessoas carnais costumam desvalorizar as experiências espirituais mais simples. Elas gostam de medir a ação de Deus pelo barulho que elas produzem, costumam  afirmar: Pentecostal que não faz barulho está com defeito de fabricação, porém esses carnais se esquecem que Deus falou com Elias com uma voz mansa e delicada e que Jesus mandou foi que nós entrássemos no nosso quarto e orássemos em secreto. Precisamos valorizar qualquer momento com Deus, seja ele de grandes ou pequenas proporções. Valorize cada culto, cada momento de oração ou de leitura da Palavra, elas são únicas e especiais. Pois, na presença de Deus, um dia vale mais do que mil.
A palavra de Deus afirma “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente” 1 Coríntios 2:14
Por esse motivo é que muitas pessoas que nos cercam não nos ajudam a vivermos uma vida espiritual sadia, elas não compreendem. O mover do Espírito não é para ser entendido, no sentido de racionalizado, ele é para ser experimentado.
FIQUE ATENTO:
A-    Pessoas que estão atravancadas em seu pensamento e em seu relacionamento com Deus não são boa companhia para as nossas vidas. Assim eram os velhos no texto lido. Junte-se com quem quer algo com Deus. Com quem te chama para orar, quem te insita a ler a Bíblia, com quem te anima a estar nas orações.
B-    Esposo, esposa, filhos animem-se mutuamente a estarem na presença de Deus. Não seja instrumento de satanás contra os seus. Não proponha aquilo que vai afastar os seus da presença de Deus.
C-    Pai e mãe vocês são responsáveis pela vida espiritual de seus filhos, portanto não os deixe em casa.
D-    Esposa e esposa, quando teu cônjuge lhe propor ficar em casa em vez de vir ou buscar a presença de Deus, essa proposta não vem da parte de Deus.
2-    Para vivermos uma restauração espiritual precisamos agir em favor disso. Ageu 2:4

A palavra do Senhor é clara para os moradores de Jerusalém. Trabalhem diz o Senhor! Parece uma ordem tão fácil de ser cumprida, mas não era. Envolvia ter que deixar outros afazeres, a comodidade. Construção envolve gastar energia, se cansar. Sujar as mãos. Da mesma maneira, reconstruir a vida espiritual envolve muitas coisas. Envolve gastar energia nisso. Envolve uma busca, envolve sair da letargia.
Isso não é fácil. Precisamos lutar contra as ações satânicas que são contrárias a isso. Além disso, existe nossa carne que não nos ajuda a buscarmos a Deus, e como falamos anteriormente, algumas vezes temos que lutar até com aqueles que nos cercam.
Sabendo disso, que a reconstrução do templo era algo mais do que físico, pois envolvia também questões espirituais, Deus estabelece a ordem, mas também, libera uma palavra de ânimo para aqueles que colocariam a “mão a massa”. Essa palavra de ânimo vem por meio de uma exortação, um encorajamento e uma promessa.
A-    Exortação: Esforça-te e Trabalha.2:4
Creio que muitos aqui desejam ter suas vidas espirituais restauradas. Desejam voltar ao primeiro amor. Creio que existam expectativas naqueles que anseiam por um mover de Deus em suas vidas.
O problema que desejo, expectativa, ânsia, não produzem avivamento. Não produzem mover de Deus. O que promove a ação de Deus na vida do Cristão é uma soma de esforço e trabalho. Não basta trabalho, tem que ter esforço.
Se queremos uma vida espiritual sadia devemos entender que ela não cai do céu no nosso colo sem esforço nenhum. Esforço e trabalho são usados pelo menos três vezes no Antigo Testamento, você pode conferir em Dt. 31:7,23; Js 1:6-9,18; 1 Cr 22:13, mostrando para nós que Deus deseja nos abençoar espiritualmente, mas isso dependerá também de nosso esforço. Paulo em 1 Coríntios 9: 24-27 afirma que precisamos disciplinar nossa natureza, isso nos mostra como precisamos de trabalho.
O esforço deve ser continuo, muitos querem uma renovação espiritual, mas não alcançam porque seu trabalho é raro e inconstante, mas vejamos o que o profeta Isaias afirma em Isaias 62:6-7 “Coloquei sentinelas em seus muros, ó Jerusalém; jamais descansarão, dia e noite. Vocês que clamam pelo Senhor, não se entreguem ao repouso,  e não lhe concedam descanso até que ele estabeleça Jerusalém e faça dela o louvor da terra.”

B-    Encorajamento: Três sentidos: 2:5 e 8
1º O meu Espírito habita no meio de vós.(2:5)
Embora a tarefa de buscarmos uma restauração espiritual seja árdua e pesada, podemos a consciência de que o Espírito de Deus está conosco. O Consolador, aquele que intercede pelos eleitos de Deus, está a nossa disposição e podemos contar com Ele.
Muitos têm fracassado nessa busca por uma ação do espírito, pois simplesmente, se esquecem de que O espírito está pronto a nos auxiliar e que de maneira nenhuma vamos conseguir esse avanço sem o auxilio Dele.
O Espírito estava entre eles. 2:5. Eles não precisavam temer. A intervenção do Espírito Santo garante o sucesso de nossas ações. Não precisamos temer. Ele que começa e que termina a boa obra sobre nós.

2º Deus tem uma aliança conosco. (2:5)

Podemos perceber que existe um compromisso e interesse da parte de Deus e precisamos aproveitar o momento que o Senhor está nos concedendo seu favor. Se o vento está a favor é tempo de aproveitarmos isso. Muitas vezes remamos e não saímos do lugar pelo simples fato que Deus não está permitindo que isso ocorra. Porém, existem momentos que Deus está favorável a nós, devemos aproveitar isso. Remar a favor da maré, com o vento do Espírito sobre nós é bem mais fácil e produtivo.

3º Deus é o dono de tudo. (6:8)
Deus não é apenas o criador de todas as coisas Ele é também sustentador de tudo. A providência é um atributo de Deus. Deus é infinitamente maior do que pensamos ou que pedimos. Ele é maior que qualquer dureza de coração. Pode derrubar qualquer muralha que esteja impedindo seu agir e seu mover.
C-    Promessa 2:9
O texto aponta para seguinte verdade: A somatória de vontade de Deus, aliança divina e esforço humano traria conseqüências relevantes, abençoadoras e marcantes para a nação de Judá. Um povo que havia sofrido o opróbrio por causa da desobediência, que passou pelo momento de abandono divino, agora ouve que existe um futuro grandioso e brilhante a sua frente.
Com freqüência as promessas sempre sobrepujam os dias de calamidade. Dias difíceis, dias de luta, não podem ser comparados com a glória futura. E Creio que existe uma palavra diretiva Deus para essa igreja, uma promessa de ação de Deus sobre esse lugar. Uma promessa de unção, poder, glória e crescimento físico e espiritual.
Já houveram dias aqui de choro, de dor, de perca de membros, de frieza espiritual, mas a partir de hoje Deus faz coisas novas e tremendas nesse lugar, tempo de estabelecimento da paz de espírito, de concordância nas relações inter pessoais, de conversões e da volta das ovelhas desse aprisco, tempo em que os recursos não faltarão, onde o céu e a terra tremerão se eles não quiserem se curvar perante aquilo que Deus determina nesse lugar, tempo onde a glória de casas passadas serão como palha se comparadas com aquilo que Deus derramará nesse lugar.
3-    Se queremos viver um tempo de restauração espiritual precisamos rever nossas prioridades. Ageu 1:1-3

O que são prioridades? Significa eleger o que vem em primeiro lugar, ou seja, o que mais importa para nós.
Ageu comunicou sua primeira mensagem em 29 de agosto de 520 a.C., dia  do festival da lua nova, data em que os judeus congregavam em Jerusalém para adorar o Senhor (Nm 10:10; 28:11; Sl 81:3; Is 1:13-14; Os2:11; Am 8:5). A mensagem era urgente e impositiva, entregue diretamente por Deus a Ageu, profeta (1:1,3; 2:1,10) e enviado do Senhor (1:13). Os destinatários da mensagem eram zorobabel, governador de Judá, e Jesua, sumo sacerdote (Ed 5:2).
Pouco tempo depois de retorarem em 537 a.C., os exilados reconstruíram o altar das ofertas e lançaram a fundação do novo templo (Ed 3:1-3,8,10). Contudo, abandonaram o projeto por dezesseis anos. Por causa disso, Deus manifesta seu desgosto com os israelitas ao chamá-los de “este povo” em vez de meu povo (1:2s). O senhor não aceitou a desculpa do povo de que Não veio ainda o tempo (1:2b). Nunca haverá tempo favorável para fazer a obra de Deus, pois sempre enfrentaremos oposição.
A pergunta retórica em 1:4 expõe as prioridades distorcidas do povo, eles estavam mais preocupados com o conforto e acabamento de suas casas que com o templo do Senhor (cf. atitude de Davi em  2Sm 7:2; 1 Cr 17:1-2; Sl 132:1-5). Deus não precisa de uma casa. O templo, porém, era o lugar onde prometeu encontrar-se com seu povo (Nm 14:10; 16:19; 1 Rs 8:10-13).  Ao negligenciarem a reconstrução do templo, demonstravam que a presença de Deus não era importante, que o culto a Deus estava em segundo plano e apontava para a falta de interesse espiritual.
Ageu chamou a atenção do povo várias vezes para como viviam (1:5; 1:7; 2:15; 2:18; cf. Tb. Lm 3:40). Por causa de prioridades distorcidas, sofriam as calamidades que Deus mencionou em Deuteronômio 28:38-45 (cf. Tb. Am 4:6-10): trabalhavam muito, mas colhiam pouco (1:6ª; cf. Tb. Mq 4:10); as roupas não aqueciam (1:6c); e sempre faltava dinheiro, pois o salário do povo desaparecia como quem coloca moedas em bolso furado (1:6d).
A maior preocupação deve ser com a vida espiritual, os judeus estavam com sua inquietação voltada para as coisas materiais, porém, Deus preocupava-se com a espiritualidade e o culto a Ele. È interessante que o muro somente foi reconstruído depois do templo, isso porque, quando minha vida espiritual e a adoração a Deus andam bem, o próprio Deus é nosso muro e fortaleza, socorro bem presente na hora da angústia.
Devemos examinar nossa vida a fim de nos certificarmos de que caminhamos conforme a vontade de Deus. O Senhor não aceita desculpas por atrasos em sua obra e uma vida espiritual apática. Não devemos colocar os bens materiais ou interesses próprios acima do Senhor e sua obra. Quando estabelecermos o Senhor como prioridade principal, Ele suprirá todas as nossas necessidades físicas, espirituais e materiais (Mt. 6:33),

4-    Se queremos viver um tempo de restauração espiritual precisamos nos despir das coisas do passado. 2:9

Diz o ditado: “Águas passadas não movem moinho”, ou ainda “Não adianta chorar pelo jeito derramado”, eu gosto dos ditados populares, muitos deles expressam verdades divinas.
Esses dois ditados se encaixam perfeitamente na realidade que o povo de Jerusalém estava vivendo. Eles ainda estavam pensando em como era o primeiro templo, estavam presos ao passado.
As experiências espirituais que vivemos no passado são boas, e tem grande valia para as nossas vidas. Mas elas não podem ser as únicas. A palavra do Senhor afirma que o cristão vive de fé em fé e de glória em glória, por isso o que ocorreu no passado foi bom, mas precisamos continuar a buscar uma vida de intimidade com Deus.
Precisamos viver de novidade de vida. Quem vive de passado é museu, cristão vive de novidade de vida. Por isso as experiências do passado até tem valia, mas precisamos de novas experiências com Deus.

Tem gente que vive do que aconteceu em 1915, são pessoa que são presas ao passado, com frequência são saudosistas. Para vivermos um tempo de restauração espiritual é necessário que nos desprendamos do passado.

Isso inclui pecados, erros, decepções, críticas. A palavra do Senhor nos manda por mais de uma vez nos avaliarmos, e examinarmos nossas vidas. João escrevendo aos de Èfeso em Apocalipse 2, nos afirma: Lembra onde você caiu, arrependa-se e volte as primeiras obras.

Você já se perguntou por que sua vida espiritual é tão ruim? Você já se perguntou por que você não consegue ver sua vida espiritual restaurada? Você já se perguntou onde foi o erro que você cometeu? Será que você não precisa se consertar com seu irmão? Com seus pastores? Com sua família?  

Uma das principais armas de satanás para destruir a vida espiritual de um crente é a falta de perdão. A falta de perdão nos afasta de Deus. Faz com que nossas orações não sejam recebidas por Deus.

Você já pensou que você ferindo seu irmão, você fere o próprio Espírito Santo que nele habita?  Quando falta perdão é sinal que está sobrando orgulho e Deus não opera nos orgulhosos.

Conclusão:

Aproveite o tempo que Deus está concedendo de restaurarmos nossas vidas espirituais. Um novo tempo, um tempo de restauração. De mudança de vida, de avanço. Ele nos chama para vivermos dentro do tempo Dele. Deus nos convoca a sairmos da esfera humana e vivermos esfera celestial. Os judeus por um momento não entenderam o que Deus queria com eles. A reconstrução do templo em uma primeira instancia, era um projeto divino, que envolvia ações humanas, por isso Deus levanta seus profetas para trazerem o povo para essa realidade. Da mesma maneira precisamos ter isso em mente, que a nossa restauração espiritual é um projeto de Deus, que trará benefícios para nossas vidas, mas que no final de tudo, glorificará não o nome do profeta, ou daqueles que trabalharem em função disso, mas do próprio Deus.

Soli Deo Gloria





domingo, 8 de dezembro de 2013

Chamados a uma Viva Esperança. Lamentações 3:1-26



Ao estudarmos o livro de Lamentações sempre encontramos dois pontos de vistas errados sobre esse livro. O primeiro é afirmar que esse livro é um livro profético, pois na realidade esse livro é um livro poético. Nas atuais versões da Bíblia Sagrada não percebemos isso com muita facilidade, mas em versões que usam uma formatação do texto como na Bíblia de Jerusalém, podemos observar os anuances poéticos com maior facilidade.
O livro é composto de cinco poemas cada um formando um capítulo. Os primeiros quatro são escritos como acrósticos, com uma construção muito elabora e sofisticada. As vinte e duas consoantes do alfabeto hebraico são usadas para que os primeiros poemas tenham todos o mesmo comprimento, cada um iniciando uma estrofe
Outro aspecto interessante que podemos ressaltar é que essa obra é anônima, seu autor não é de fato conhecido. Muitos apontam para possivelmente a pessoa do profeta Jeremias. O que podemos ter certeza é que os cinco poemas que formam esse livro vieram da mesma mão, por causa do estilo e do conteúdo. E um fator de suma importância para nossa reflexão dessa noite é que o autor foi testemunha ocular da calamidade que sobreveio sobre Judá.
Jerusalém havia ficado cercada pelos Babilônicos por três anos. Fome, sede e por fim a destruição caiu sobre aquele povo. Os muros haviam sido derribados, as portas queimadas, o templo destruído e muito haviam sido mortos ou levados como escravos até a Babilônia.
O autor é testemunha ocular desses fatos e não lhe resta fazer outra coisa a não ser lamentar essa situação e nos capítulos 1: 1-7; 2:9-11; 4:1-10. E não apenas isso, o autor sabe qual é o motivo dessa situação de calamidade que eles estão vivendo e aponta essa realidade nos versículos 1:12-14,27;
Você já parou para pensar que muitas das situações difíceis que nós passamos não são culpa de satanás, mas são resultados de atitudes erradas que temos contra Deus?  Você já parou para pensar que talvez que a situação de calamidade que você está passando é consequência dos seus próprios erros?
Talvez você esteja pensando: Essa mensagem não é para mim! Eu estou bem, não me falta alimentos na minha casa, meu casamento vai muito bem, não me falta dinheiro, nem mesmo trabalho, eu não vivo um tempo de calamidade! A pergunta que você deveria fazer é se a calamidade que Deus quer tratar com você não seja sua vida espiritual.
Não existe calamidade maior do que ter uma vida espiritual destruída. Não existe situação mais desesperadora do que não sentir mais a presença de Deus, não ter ânimo de vir à igreja, não ter mais prazer na presença de Deus.
A situação de maior calamidade para o homem é ter sua vida espiritual arrasada. Satanás tem se aproveitado muito do materialismo e da teologia da prosperidade, pois nessa visão, se a pessoa está bem financeiramente é sinal de que Deus está aprovando suas atitudes. A teologia da prosperidade afirma que ser vitorioso é prosperar materialmente, mero engano, ser vitorioso é ter uma vida espiritual sadia. A própria palavra de Deus afirma: Vocês eram pobres, cegos e nus, isso refere a nossa condição espiritual antes de Cristo, vivíamos em plena calamidade espiritual.
Será que você já raciocinou quais as causas de estar vivendo em calamidade espiritual? Quero apontar alguns fatores que nos levam a essa situação. E se fizermos uma comparação com Judá, veremos que os erros são semelhantes.
- Falta de compromisso com o corpo. Nossas atitudes não podem ferir o corpo de Cristo que é a igreja.
- Falta de compromisso coma Palavra de Deus. Vivemos em desacordo com a Bíblia.
- Insubmissão aos pastores. Quando você se levanta contra quem vela por você isso não traz nenhum beneficio para sua vida espiritual.
O escritor sabia da destruição de Jerusalém e de Judá, ele era testemunha ocular da situação, e ele não nega isso, mas ele sabe também que ainda havia esperança (1:19-26).
O mundo afirma: A Esperança é a última que morre! A Bíblia, porém, afirma: A esperança ressuscitou ao terceiro dia e vive eternamente a destra de Deus, seu nome é Jesus, por isso nossa esperança não é a última que morre, pois nossa esperança é Cristo.
O mundo afirma: Não há mais esperança! A Bíblia afirma, em Jó 14:7-9: Há esperança para á arvore que foi cortada, ou que suas raízes envelheceram ou ainda que seu tronco tenha caído ao chão, ao cheiro das águas ela brotará.
Hoje é noite da esperança ser renovada em nossos corações, é tempo de saber que ao cheiro das águas do Espírito tudo pode ser transformado, tudo pode ser renovado, e toda situação pode ser mudada. Precisamos entrar com essa confiança na presença de Deus. Tem jeito sim! O Espírito de Deus é renovador e poderoso para fazer além do que pedimos ou pensamos, conforme sua santa, boa e agradável vontade.
Agora imagine: A cidade destruída, o templo destruído, fome, miséria, calamidade física e espiritual, o que poderia trazer esperança no coração desse homem? Pense agora você, o que lhe pode trazer esperança? Calamidade em varias áreas de sua vida. Lutas por fora e temores por dentro, parafraseando o apóstolo Paulo, o que lhe poderia trazer esperança?
A resposta para essa pergunta é o que veremos nesse momento, pois podemos ter certeza que fomos chamados para uma “VIVA ESPERANÇA”, como afirmaria o apóstolo da Esperança chamado Pedro em 1 Pedro 1:3.
1-    As misericórdias de Deus são inesgotáveis. 3:22

No mundo em que vivemos somos tentados a acreditar que nada pode ser eterno e inesgotável. Parece que tudo que nos cerca tem o prazo de validade reduzido. Sejam os sentimentos que se tornaram tão superficiais, ao ponto de afirmarmos “Que seja eterno enquanto dure”, sejam os bens de consumo que em 1 ano ou estão ultrapassados ou estragados, seja nas relações interpessoais, que são em sua maioria, virtuais, que hoje são e amanhã passam.
Em uma sociedade que dificilmente crê que possa existir algo eterno, indestrutível e interminável, que nos apresenta tantas incertezas e afirmações que querem abalar nossa fé e confiança em Deus, o texto nos apresenta bons motivos para crermos que as misericórdias de Deus são inesgotáveis.
O primeiro motivo encontra-se na própria construção do versículo. A palavra hebraica hesed é muito importante na teologia do Antigo Testamento, ela inclui o amor, benignidade, fidelidade e misericórdia como possíveis traduções, por isso que encontramos uma variedade de expressões no versículo que lemos, variando de versão para versão.
A melhor tradução para a palavra hesed, que se encaixa melhor nesse texto é misericórdia. Porém não é qualquer tipo de misericórdia, é um tipo de atitude que vai além das obrigações e alcança as pessoas que não merecem o favor de Deus. O Senhor misericordioso conosco não porque somos merecedores de misericórdia, mas porque Ele é fiel a sua aliança.
Ao usar essa expressão o escritor deseja apontar para a lealdade e fidelidade de Deus em relação a sua aliança com seu povo. Em outras palavras o escritor afirma: “As misericórdias de Deus são inesgotáveis, pois estão baseadas na aliança que Ele mesmo fez com os seus”.
O segundo motivo que nos leva ao entendimento de que as misericórdias de Deus são inesgotáveis é o seu grande amor. Sua misericórdia não está baseada naquilo que podemos fazer, nem mesmo em uma obrigação de Deus, mas sua base é seu amor fraternal.
Esse amor não foi algo construído por uma relação entre o divino e o humano, mas sempre existiu na trindade, pois de fato, Deus é amor. Esse amor não pode ser aumentado nem mesmo diminuído, pois seu alicerce não se apoia em uma relação meritória. O amor de Deus já se encontra no mais elevado nível de amor. Nem mesmo podemos ser arrancados de seu amor, pois nem a morte, nem a vida, nem coisas do presente ou do porvir, podem nos separar de Cristo que é o amor em pessoa.
Deus sempre exercerá misericórdia sobre nós, pois Ele nos ama.
O terceiro motivo que encontramos para crermos na inesgotabilidade da misericórdia de Deus é sua eterna renovação. Por isso podemos parafrasear esse verso da seguinte maneira: “As misericórdias do Senhor jamais acabam.”
Essa expressão nos remeta para o atributo de Deus da imutabilidade. Por imutabilidade entendemos a perfeição pela qual não há mudança em Deus, nem em seus atributos, nem mesmo em seus propósitos e promessas. As circunstâncias podem mudar, mas Deus não muda. O autor tem certeza disso, por isso ele sabe que pode confiar no Senhor.
A situação de Jerusalém pode ser outra. A antes bela e formosa cidade de Davi, agora está destruída e acabada, mas o escritor desses poemas tem convicção que o Deus poderoso é imutável.
O último, e não menos importante aspecto que o texto ressalta é que a misericórdia de Deus está estritamente ligada com a fidelidade Dele. Deus não irá mudar seus projetos naquilo que se referem aos seus.
Por experiência pessoal, o autor conhecia a fidelidade de Deus. Deus prometeu que o castigo seguiria à desobediência e aconteceu assim. Entretanto, O também prometeu restauração e benções futuras e o autor sabia que Deus também cumpriria essa promessa. Acreditar na fidelidade de Deus nos dias que passaram nos faz confiar em suas grandes promessas para o futuro.

2-    O Senhor é a nossa porção. 3:24

O segundo aspecto que pode fazer nosso coração se tornar esperançoso é saber que nossa porção é o Senhor. Jeová é meu tesouro mais precioso", declara minha alma, "por isso confiarei nele"
Essa realidade aponta para o valor de nossa porção, pois nossa herança, aquilo que temos de precioso é o próprio Deus. E ao que podemos comparar essa porção? Aos bens materiais, ao status social, nada disso se compara ao valor de ter o Senhor como nossa herança.
O autor sabe como era a beleza material de Jerusalém, mas ele tem noção que nem mesmo Jerusalém no auge do seu esplendor poderia ser comparada com a beleza de nosso Deus. Jerusalém era boa? Sim, ela era! Jerusalém tinha esplendor? Sim, ela tinha! Jerusalém gozava de riqueza e fartura nos dias de glória? Sim! Mas nada pode ser comparado com a melhor parte que é o Senhor.
Antes de ser crente era rico ou bem de vida? Tinha carro do ano e status social? Nada disso se compara a ter Deus como sua herança. Tudo aquilo é nada se comparado com a presença habitadora de Deus.
Precisamos estar atentos a esse detalhe, posso ter esperança em um futuro de bem aventurança, pois mesmo que Deus não nos desse nenhum tesouro terreno, Ele já nos concedeu aquilo que de maior valor e que nos aguarda nos céus, sua companhia.
Outro detalhe importantíssimo é que ao afirmar que sua porção era o Senhor o escritor entende que seu futuro está seguro. Nossa porção, sendo o Senhor, não está sujeita as questões degradantes do ambiente, nem mesmo na interferência humana. A ferrugem não pode correr, nem mesmo as traças, os ladrões não podem tomar de nós, pois está seguro nos céus. Nossa porção é uma bênção suprema
O autor expressa uma enorme satisfação naquilo que ele afirma nesse momento. Isso deveria nos chamar atenção, visto que somos chamados pelo consumismo a vivermos sempre insatisfeitos com aquilo que temos. O autor talvez não tenha mais casa, alguns de seus amigos estão mortos, outros aprisionados, sua cidade está destruída, o templo do seu Deus em ruínas, mas ele consegue encontrar satisfação, sua satisfação é o Senhor. Deus é a única porção que pode satisfazer todos os anseios da alma humana. Jeová é tudo o que precisamos para saciar nossa fome, sede e vazio de nossas almas.
3- O Senhor é bom 3:25

O titulo do livro que estamos estudando é Lamentações, porém essas não são dirigidas de fato a Deus, mas ao estado de Jerusalém e ao pecado dessa cidade que culminou em sua ruína. Mas porque esse homem, mesmo vendo a assolação não desfere palavras de amargura contra seu criador?
A resposta está ligada ao nível de conhecimento que esse homem tem de Deus. A lamentação ou murmuração quando é voltada contra Deus é uma prova concreta de que não conhecemos a Deus.
Perceba que o autor afirma que o Senhor é bom, mesmo em uma situação de tragédia. Ele faz isso porque conhece que Deus é bom por essência e de maneira nenhuma pode deixar de ser bom, por isso podemos esperar coisas boas da parte dele para nós. Embora algumas situações que passamos possam parecer que são ruins, se elas provem de Deus de fato são boas.
Nesse momento preciso abrir um parêntese para observarmos um detalhe: Nem toda lamentação de fato é pecaminosa. Somos ensinados que qualquer tipo de lamento é uma atitude pecaminosa. Porém, isso, de fato, não ocorre dessa maneira. Somos feitos pessoas emocionais, cheios de sentimentos que o próprio criador implantou em nós, e algumas vezes somos atingidos por situações de desastres e fatalidades e é natural lamentarmos por determinada situação.
Ora não foi assim, por exemplo, com Neemias que ao saber da situação de seus irmãos que ficaram em Jerusalém depois do exílio Babilônico, diz a Bíblia que ele: “sentou-se e lamentou-se por vários dias” Neemias 1:4.
Mesmo Jesus teve uma atitude de lamentar-se, quando em Mateus 23: 1-39 Ele por várias vezes repete o termo “Ai de vós”, e por fim afirma: “Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados”! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram.
Portanto, nem todo tipo de lamento é pecaminoso, o que qualifica como pecaminoso é para quem ele é direcionado. Precisamos aprender com esse autor a não dirigirmos nosso lamento contra o Senhor, pois o Senhor é bom, mesmo quando as situações são ruins.
Voltando para o texto o autor não pode de maneira nenhuma afirma outra coisa em relação à pessoa de Deus. È verdade que a situação não é boa, mas ele compreende que não foi assim que Deus desejava que fosse, e que a calamidade somente havia os alcançados por eles terem sido infiéis ao Senhor.
Por esse motivo nos versículos 37- 42 ele reconhece que o pecado deles havia trazido à ruína, mas nem mesmo nesse momento o Senhor deixa de ser bom. Se o Senhor decretou a assolação com ato disciplinatório isso deveria ser considerado como algo bom. A disciplina no momento que é recebida é ruim, mas no tempo determinado produz o fruto pelo qual o Senhor a propusera.
Há  mais um detalhe, Deus é bom e sendo bom ele sabe dar coisas boas coisas aos que o buscam e colocam sua esperança em Deus. (Vs. 25). Uma vez que Deus é bom a melhor coisa a fazer é buscá-lo e descansar Nele, mesmo que isso implique em necessariamente em mudar de atitude e simplesmente esperar tranquilo.
Conclusão:

A aflição, calamidade e destruição não foram as ultimas palavras de Deus para Jerusalém. Depois desse período as misericórdias do Senhor, seu amor eterno, sua paciência e benignidade foram conhecidas por essa nação.

Em meios às angustias e tribulações podemos clamar a Deus e lançar nossa esperança Nele, como fez Judá, e aceitar aquilo que virá, isso não é fatalismo é confiança no Deus que seguimos.   

Nessa noite podemos perceber que não faltam motivos para lançarmos nossa esperança no Senhor. Uns confiam em carros, outros em cavaleiros, nós, porém, depositamos nossa esperança no Senhor, o Deus de nossa salvação.