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Mensagem
pregada no Culto Regional de Mocidade. 16/02/2013
A Palavra de Deus
apresenta em vários textos a vontade de Deus e a necessidade de vivermos em
comunhão e mutualidade. Esse assunto foi um dos quais o apóstolo Paulo mais
tratou em suas epístolas. Podemos perceber isso em Romanos, Coríntios, Gálatas,
Efésios, Filipenses, Tessalonicenses, demonstrando que esse assunto era uma
preocupação desde os primeiros dias da igreja cristã.
No Novo Testamento a
figura mais usada para definir a igreja e apresentar essa busca pela união e companheirismo
é o corpo humano. E fazendo uso dessa figura aprendemos que somos diferentes,
interdependentes e complementares. Percebemos que não existe cristão que viva
em um ostracismo em uma ilha de solidão.
Uma questão essencial
que não podemos esquecer é que embora seja vontade de Deus, mesmo a Bíblia nos
apresentando essa necessidade de vivermos em união, existe alguns fatores que
interferem no desenvolvimento desse sentimento tão precioso e fundamental para
a jornada cristã.
Um dos fatores que
poderiam ser citados nessa noite
seria a diversidade. O texto de 1 Coríntios 12:12-31 afirma que nem tudo
no corpo é olho ou mão,
existe uma diversidade em nosso corpo.
Da mesma forma existe também uma diversidade
dentro da igreja e
especialmente dentro dessa juventude, e isso ocorre por vários fatores; a
saber: Educação recebida dos pais, ou se é filho de mãe solteira, ou se os pais
são divorciados, se os pais têm mais grana ou menos grana, e ate mesmo porque Deus
nos fez diferente.
Essa diversidade gera conflitos, alguns desencontros, de vez em
quando, encontros desagradáveis, geram palavras grosseiras, geram magoas.
Embora tal diversidade devesse servir para o crescimento do corpo. Mas isso
ainda não é a principal causa da falta de mutualidade no corpo de Cristo.
O fator que produz a
maior interferência nos relacionamentos dentro da igreja é a existência ainda
em nós da natureza pecaminosa. A carnalidade é uma das causas apresentadas por
Paulo para as divisões em Corinto. ( Conf. 1 Coríntios 3:1-3)
E é justamente isso que
tem atrapalhado tanto o entendimento e principalmente a vivência dessa verdade
em nossas comunidades.
O
fato é: Para vivermos em um só corpo, um só Espírito e um só propósito
precisamos nos tornar ESPIRITUAIS, e não meramente religiosos, pois estar na
igreja, tocar, dançar, pregar, ir aos cultos, não significa ser um cristão
espiritual.
Nessa noite gostaria de meditar com os irmãos sobre alguns pontos
que demonstram a necessidade da espiritualidade dentro das relações
interpessoais.
1- Somente os espirituais não se alegram
com a queda alheia. Gálatas 6:1
Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, do
IBGE, os “desigrejados” passaram de 4% do total de evangélicos
em 2003 para 14% em 2009, um
salto de 4 milhões de pessoas.
Embora a igreja cristã protestante esteja crescendo
em nosso país, poderíamos ser maiores. Na verdade muitas de nossas igrejas
estão sofrendo de um efeito sanfona, hora estão cheias, em outros momentos
vazias.
Alguns estudiosos da igreja apontam que a visão
missionária mudará em alguns anos. A igreja se preocupará menos com outros
povos, já que as forças das juntas missionárias e das igrejas organizadas têm
sido apontadas para esses países e que em breve serão formados obreiros de cada
nacionalidade para alcançar aqueles que ainda não se renderam “aos pés de
Cristo”. Assim sendo, as igrejas buscarão aqueles que se afastaram de seu
convívio. A visão missionária não
será voltada para os não alcançados, mas para os desigrejados.
Alguns motivos têm levado ao surgimento dessa problemática
de esvaziamentos das igrejas. O surgimento de movimentos para-eclesiásticos, a propagação
de teologias falsas e anti-bíblicas, mas
o principal deles, é a falta de espiritualidade no trato daqueles que caem
durante o percurso.
A igreja é o único exército que mata seus soldados feridos, afirmou
o Rev. Caio Fábio, uma
afirmação dura de ouvir, mas extremamente verdadeira.
O apóstolo Paulo no texto lido (vers. 1) apresenta
algumas verdades: A- De vez enquando alguns
irmãos caem em pecado. É obvio que Paulo não esta tratando daqueles
pecados que cometemos sem intenção, ele não esta falando dos tropicões, nem
mesmo dos escorregões. Paulo está falando daqueles que por algum motivo caem
nas práticas pecaminosas. B- È
obrigação daqueles que são espirituais restaurar aquele que caiu.
A construção do versículo indica uma obrigação
imposta para aqueles que são espirituais. Isso porque os cristão que demonstram
essa característica, devem refletir o caráter de Cristo, e portanto, suas
atitudes. Isso é uma verdadeira
santificação. Não confunda santificação com LEGALISMO. Santificação é ter o
caráter de CRISTO e não apenas seguir um conjunto de regras.
Eis um grande teste para nossa espiritualidade: Como
estamos lidando com aqueles que têm caído pelo meio do caminho? Será que
estamos cumprindo nossa função de restauradores? Como estamos lidando como
comunidade cristã com aqueles que são surpreendidos em pecado?
Regozijamos-nos com a queda de nossos irmãos? Vemos
nisso uma possibilidade de mostrarmos o quão “santo” somos? Ou ainda entendemos
que teremos “mais oportunidade” se ele caiu?
Se estivermos pensando dessa maneira estamos sendo
piores que satanás, pois dele e de seus seguidores é que se espera esse tipo de
comportamento.
A
ordem apostólica é para restaurarmos. Em algumas traduções aparece a palavra
“Encaminhem”, outras “corrigi-o”, ambas estão corretas, mas aquela que melhor
se adéqua ao contexto, é “restaurai”.
Quando um cristão cai na pratica pecaminosa ele deve
ser restaurado, isso leva a minha mente pensar na igreja como um hospital, um
centro médico, pois aquele que caiu, esta ferido e machucado.
Às vezes pensamos que aqueles que se desviaram e não
voltam para a igreja estão dessa maneira porque querem. Na verdade eles fracos,
cansados, maltratados. È assim que a ovelha que se afasta do pastor de nossas
almas, Jesus Cristo, está. È isso que o pecado faz com aqueles que se aliam a
ele.
Um
detalhe importante é que essa restauração não pode ser feita de qualquer
maneira, ela exige o tratamento adequado, como é próprio da medicina. Na
medicina espiritual, além de aplicarmos a medicação correta devemos aplica-la
com o sentimento correto.
E nisso Paulo diz: Restaurai, com “Espírito de
Mansidão.” Isso é próprio daqueles que são espirituais, pois é assim que Cristo
apresenta os verdadeiros cristãos em Mateus 5. Cristo os chama de humildes, mansos,
misericordiosos.
Aqueles que são espirituais entendem sua própria
condição, e sabem que é Cristo que os mantém em pé, que é Deus que realiza o
querer e o afetuar, e que eles podem ser surpreendidos nas mesmas tentações, e
se isso ocorrer também precisarão de serem cuidados, restaurados. E talvez quem
irá fazer isso são aqueles que hoje forem restaurados por nós. Lembremo-nos de
Davi, que foi o homem segundo o coração de Deus, mas que também caiu.
Porém, lembre-se, restaurar, ter misericórdia, ser
humilde e manso, não significa ser complacente com o erro. Quem passa a mão no
erro, não é amigo, nem irmão, isso é próprio de quem é comparsa, e comparsa não
restaura, mas afunda junto!
2º Somente os
espirituais levam a carga alheia. Galatas 6:2-3
O apóstolo Paulo vai avançar dentro do assunto que
esta tratando, ele afirma “Levais as cargas uns dos outros”, o que para alguns
parece fácil, mas não é.
“A BIBLIA NA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE”, traduz
o texto de maneira incorreta quando o faz da seguinte maneira: “Ajudem uns aos
outros”, esse eufemismo não traduz o real sentido da expressão apresentada no
versículo.
O texto nesse momento não fala de ajuda mutua, mas
literalmente de suportar o outro. “Levai as cargas” refere-se a qualquer
dificuldade física, emocional, mental, moral ou espiritual.
A imagem de alguém levando o “fardo” ou “cargas” de
outra pessoa remetia os leitores a duas situações, a primeira a de um escravo
levando um peso que não era dele, e a segunda de um soldado que ficava
responsável por levar os feridos e os mantimentos para o exercito.
Seja qual for a imagem escolhida, tratava-se de uma
subserviência, não apenas de um favor, mas de uma obrigação. Portanto, era uma tarefa, penosa e
cansativa, uma responsabilidade imposta e não escolhida. Da mesma maneira essa
verdade pode ser aplicada a nós. Levar a “carga” não é uma opção é uma
obrigação.
Na sociedade em que vivemos que “ser e ter” são fatores tão importantes, ouvir uma afirmação como
essa pode até agredir os ouvidos de alguns. Somos orientados a passar por cima
daqueles que querem estar sobre nós. Ou ainda que devemos abandonar aqueles que
cansam pelo caminho, afirmam assim que a vida é uma questão de seleção natural
e que só os fortes sobrevivem.
A lei mundana nos diz que é cada um por si. Que cada
um deve cuidar de seus próprios problemas, mas eis a diferença, os cristãos não
vivem debaixo da lei! Nem mundana nem da lei Mosaica. Agora a Lei que nos guia é a lei do amor, a lei de Cristo, e nela
aprendo que tenho que não apenas suportar meus irmãos, mas também carregá-lo se
for preciso.
Somos
uma nova espécie de homens, os “CRISTÂOS” e essa espécie deve andar de
maneira diferente. A palavra do Senhor nos afirma que pelo primeiro Adão entrou
o pecado, mas pelo segundo Adão, Jesus, veio a salvação. O mundo anda segundo o
primeiro Adão, fazendo suas próprias vontades, mas em Cristo devemos andar como
ele andou.
"O cristão é um novo homem,
é uma nova criação; pertence a um reino totalmente distinto deste mundo. O
mundo não somente é diferente do cristão; o mundo nem mesmo é capaz de
entendê-lo. Para o mundo, o crente é um enigma. E se você e eu, nesse sentido
primário, não constituímos problemas e enigmas para os incrédulos que se movem
ao nosso redor, então isso pode revelar-nos muita coisa sobre a autenticidade
de nossa profissão de fé cristã."(Dr. Martyn Lloyd Jones)
Embora a
sociedade queira nos dizer que somente os fortes sobreviveram, a Palavra de
Deus diz, que os jovens de cansado caem, mas o que esperam no Senhor renovarão
suas forças, e ainda “diga o fraco eu sou forte” e mais “quando estou fraco é
ai que sou forte”. Portanto ainda há esperança para os cansados e oprimidos,
sejam eles aqueles que ainda não aceitaram o Evangelho, ou aqueles soldados que
foram feridos pelo caminho.
Jesus resumiu os mandamentos
em dois,” Amarás a Deus acima de tudo, e Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
E o apóstolo nos afirma que se levarmos os fardos de nossos irmãos estaremos
cumprindo um dos mandamentos de Cristo.
Esse pensamento poderia produzir nos irmãos de
Gálatas e em nós também um sentimento de superioridade, ou seja, aquele que
carrega ou suporta é mais forte, mais espiritual e, portanto, melhor do que os
outros. E esse tipo de sentimento é que
produz a várias divisões dentro da igreja, um bom exemplo é a igreja de
Corinto, onde espirituais formaram para si um grupo separado, a exemplo dos
fariseus.
Essa é justamente uma das preocupações de Paulo, a
saber, que quando sabemos da fraqueza alheia somos tentados a sentirmos um orgulho pecaminoso. É por isso que ele
afirma no vers. 3, parafraseando o texto: Lembrem-se: Sem Cristo não somos nada!
È justamente isso que devemos nos lembrar quando nós
dermos conta que estamos levando a carga de alguém. EU NÃO SOU NADA, SE CARREGO O FARDO DO PRÓXIMO O FAÇO POR QUE CRISTO É
QUE ME SUSTEM. Deus é que esta me dando condições de fazer isso, a Ele a Glória
e o louvor.
Nesse sentido que Paulo, o maior dos apóstolos se
considerou, como o menor (1 Cor. 15:9), como escória e lixo (1 Cor. 4:13), e
bradou: LONGE DE MIM ESTEJA GLORIAR-ME A
NÃO SER NA CRUZ!
Sem cristo apresentamos nossa perfeita nulidade. E não podemos
pensar que somos algo sem ele.
3º Somente os espirituais
cuidam da sua própria vida. Gálatas 6:5
Quem afirma que a vida cristã é fácil é mentiroso.
Nunca foi e nunca será. Apelos que são feitos que prometem bênçãos, vida
próspera e soluções de problemas é propaganda enganosa.
A vida cristã é difícil, visto que o próprio Cristo
afirmou: No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (João
16:33), e assim sendo esse último versículo desse assunto que Paulo esta
tratando, lida justamente com isso.
Mas
porque Pastor? Porque você além de levar o fardo do seu irmão, você terá que
levar seu próprio fardo. E isso complica muito a história. O fardo é vezes 2.
Mas não se preocupe Deus não lhe propõe nada que
você não possa realizar com o Seu auxilio.
Cada individuo tem uma responsabilidade com o outro
e consigo mesmo. Ao mesmo tempo que somos “multidão” somos “ilha deserta”. E na
verdade devemos aprender que para carregarmos o fardo alheio antes temos que
aprender a carregar nosso próprio fardo.
Por todas as páginas da Bíblia percorre a
necessidade de mutualidade, de participação. De viver segundo a lei do amor;
mas ali também transparece o tema da responsabilidade individual, que
primeiramente envolve a própria conversão.
Devemos lembrar de que por vezes deixamos de reparar
o galho que esta no nosso olho para repararmos o cisco que esta no olho de
nosso irmão. (Mateus 7:3). Portanto, se cada um de nós percebesse o tamanho do
fardo que cada um tem que levar dificilmente nos sobraria energia para ficarmos
nos comparando com os outros.
O apóstolo Paulo escolheu usar duas palavras
distintas para tratar sobre a questão do fardo nesse texto. No versículo 2 ele
usa a palavra “Baros” e no versículo 5, a palavra “fortion”, embora as duas possam ser traduzidas por
“fardo” a primeira trata de um carga que ou você ou outro pode carregar, mas a
segunda palavra “fortion” trata de uma carga que somente o individuo dono dela
pode carregar.
Uma aplicação valida para essa informação é a
seguinte: Existem problemas que você terá que resolver! Existem situações que
somente você poderá mudar! Essas cargas são intransferíveis! Nenhum outro ser
humano pode fazer isso por você! Mas em Mateus 11:30 Jesus usa essa mesma
palavra para dizer que esse fardo já é, ou ainda pode ser não tão pesado. Ele
diz: Tomai o meu “fortion” ele é manso e suave.
Por vezes pensamos que nossas cargas são apenas
nossos defeitos, mero engano! Nossas qualidades também fazem parte de nosso
fardo. As qualidades podem nos levar a soberba, autossuficiência, orgulho e
vaidade. Portanto, nosso fardos remetem ao todo da vida. Problemas,
dificuldades, defeitos e qualidades.
E é melhor que cada um se avalie imediatemante, pois
não sabemos qual é hora que seremos convocados a responder perante Deus por sua
própria carga. E desse dia ninguém poderá fugir.
Conclusão:
Aqui estão regras dóceis e amáveis que devem
regulamentar as relações interpessoais. A ausência de egocentrismo, de
preocupação com a minha própria dignidade e posição, deve ser contrabalançada
por aquela preocupação verdadeira que me leva a colocar-me no lugar do outro e
agir para com o outro na mesma medida que gostaria que agissem comigo.
Contudo, esse esquecimento de si mesmo, esse
pensamento não egoísta a favor dos outros, pode ser esperado somente de alguém
que aprendeu a viver com Deus e consigo mesmo, aceitando suas qualidades e seus
próprios defeitos.
Somente uma pessoa verdadeiramente ESPIRITUAL, pode
viver essas verdades. Somente aqueles que realmente passaram da religiosidade
para uma vida verdadeiramente de comunhão com Deus.
Que possamos não nos portar como os amigos de JÒ,
que eram carnais, mas que pareciam espirituais, que ao não enxergarem suas
próprias condições, e se portaram como lobos devoradores, instrumentos de
satanás, e que por isso não conseguiram ver a JÒ como Deus o via, Homem reto
integro e temente a Deus.....
Mas essa história fica para uma próxima
oportunidade...