segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Camiseta comemorativa da reforma protestante.


 Está chegando o aniversário da reforma protestante e para comemorar essa data a Solas T-shirts lança sua camiseta comemorativa. Eles estão na Pré-venda, então aproveite porque o valor de R$ 40,00 somente vai até o dia 15/10/2014. entre em contato pela Page no Facebook.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Apenas um culto?



Somente mais um culto. Quem nunca pensou assim? Quem nunca se portou dessa maneira? Se você for sincero terá que concordar que em algum momento de sua vida você pensou ou agiu assim.
Esse tipo de pensamento e atitude não é exclusividade dos membros da igreja, mas muitos líderes agem da mesma forma, isso pode ser percebido quando analisamos a condução do culto e a mensagem pregada, quando há despreparo e, consequentemente, esse sentimento intrínseco de que é somente mais um culto.
Nesse texto eu poderia destacar muitos motivos pelos quais o culto nunca pode ser considerado como apenas mais um. Ninguém deveria ir à igreja para ser um espectador, mas sim para prestar um culto a Deus. Ele é digno de honra e glória e esse é motivo suficiente para que o nosso pensamento e postura fossem diferentes. Poderia ainda salientar que cada culto, na verdade, é menos um, pois a cada dia que passa o dia do Senhor se aproxima. Ou ainda apresentar a afirmação de que o culto deveria ser encarado como um treino para o culto eterno que faremos a Deus nos céus, por isso, cada culto deveria ser considerado único.
Todos esses argumentos são válidos e verdadeiros, mas hoje quero apontar um detalhe talvez tão esquecido por alguns, cada culto não é apenas mais um culto, ou somente um culto, pelo simples fato de que esse dito culto pode ser aquele transformador na vida de uma pessoa.
Quantos entram nos cultos de nossas igrejas destruídos pelo pecado, carregando o fardo do erro, distantes de Deus? Nosso egocentrismo não permite que olhemos para aquele que entra em nossas reuniões destruídos moralmente e espiritualmente.
Foi assim comigo e, aquele culto, não foi apenas um culto. Era uma quarta-feira, fazia frio em Brasília e eu vestia uma jaqueta verde. Saí do emprego, comprei uma carteira de cigarro na padaria, então, em vez de ir tomar umas cervejas e fumar meu baseado, resolvi mudar de caminho, fui à igreja. Já se passara três anos que eu não entrava em uma igreja, na minha cabeça uma questão: Deus existe? E um desejo: Se Deus existe que Ele fale comigo hoje.
A igreja era grande, mas estava quase vazia, no máximo 15 pessoas, senhores e senhoras, aquele tipo de pessoa que ainda preza por uma reunião de oração. Eu entrei, sentei, então, eu não sei te explicar como, mas eu vi a Cruz e o sacrifício de Cristo e ouvi a voz de Deus: você é pecador, você tem pecado contra mim. Naquele dia eu senti qual era a condição de minha alma e contra quem eu estava pecando. Fui convertido pela graça e já se foram 11 anos desde esse dia.
Aquele culto não foi mais um culto, pelo menos não para mim. Ele foi o culto. Já fui em grandes e bons cultos, mas aquele foi único. Poderia ter sido mais um culto, mas não foi. Creio que algumas daquelas pessoas oraram por mim, não só naquele dia, mas em outros; creio que o pastor orou com sinceridade comigo naquela noite e eles não sabem onde aquele cidadão foi parar, que caminhos ele trilhou depois daquele momento. Depois daquele culto, passados alguns meses, embarquei para Fortaleza-Ce para estudar Teologia e ser pastor. Creio que Deus já me usou como instrumento para abençoar algumas pessoas. Hoje existem pastores que foram treinados por mim, outros que levei até Cristo e hoje são pastores e todos eles estão também sendo instrumentos de Deus para alcançar outras vidas.
Moral da história? Um culto nunca é apenas mais um culto, tanto porque ele deve ser feito com o máximo de apreço, pois é feito para um Deus que merece toda honra e glória, quanto porque esse culto pode mudar a vida de várias pessoas.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Qual o futuro da igreja evangélica no Brasil?

 Por: Augustus Nicodemus Lopes
Via: O Tempora, o Mores. http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/08/qual-o-futuro-da-igreja-evangelica-no.html
Quando olho o atual cenário da igreja evangélica brasileira – estou usando o termo “evangélica” de maneira ampla – confesso que me sinto incapaz de prever o que vem pela frente. Há muitas e diferentes forças em operação em nosso meio hoje, boa parte delas conflitantes e opostas. Olho para frente e não consigo perceber um padrão, uma indicação que seja, do futuro da igreja.

Há, em primeiro lugar, o crescimento das seitas neopentecostais. Embora estatísticas recentes tenham apontado para uma queda na membresia de seitas como a Universal do Reino do Deus - que ressurge das cinzas com o "templo de Salomão" - , outras estão surgindo no lugar, como na lenda grega da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que se regeneravam quando cortadas. A enorme quantidade de adeptos destes movimentos que pregam prosperidade, cura, libertação e solução imediata para os problemas pessoais acaba moldando a imagem pública dos evangélicos e a percepção que o restante do Brasil tem de nós. Na África do Sul conheci uma seita que mistura pontos da fé cristã com pontos das religiões africanas, um sincretismo que acaba por tornar irreconhecível qualquer traço de cristianismo restante. Temo que a continuar o crescimento das seitas neopentecostais e seus desvios cada vez maiores do cristianismo histórico, poderemos ter uma nova religião sincrética no Brasil, uma seita que mistura traços de cristianismo com elementos de religiões afro-brasileiras, teologia da prosperidade e batalha espiritual em pouquíssimo tempo.

Depois há o movimento “gospel”, que mostrou sua popularidade ao ter o festival “Promessas” veiculado pela emissora de maior audiência do país. Não me preocupa tanto o fato de que a Rede Globo exibiu o show, mas a mensagem que foi passada ali. A teologia gospel confunde “adoração” com pregação, exalta o louvor como o principal elemento do culto público, anuncia um evangelho que não chama pecadores e crentes ao arrependimento e mudança de vida, que promete vitórias mediante o louvor e a declaração de frases de efeito e que ignora boa parte do que a Bíblia ensina sobre humildade, modéstia, sobriedade e separação do mundo. Para muitos jovens, os shows gospel viraram a única forma de culto que conhecem, com pouca Bíblia e quase nenhum discipulado. O impacto negativo da superficialidade deste movimento se fará sentir nesta próxima geração, especialmente na incapacidade de impedir a entrada de falsos ensinamentos e doutrinas erradas.

Notemos ainda o crescimento do interesse pela fé reformada, não nas igrejas históricas, mas fora delas, no meio pentecostal. Não são poucos os pentecostais que têm descoberto a teologia reformada – particularmente as doutrinas da graça, os cinco slogans (“solas”) e os chamados cinco pontos do calvinismo. Boa parte destes tem tentado preservar algumas idéias e práticas características do pentecostalismo, como a contemporaneidade dos dons de línguas, profecia e milagres, além de uma escatologia dispensacionalista. Outros têm entendido – corretamente – que a teologia reformada inevitavelmente cobra pedágio também nestas áreas e já passaram para a reforma completa. Mas o tipo de movimento, igrejas ou denominações resultantes desta surpreendente integração ainda não é previsível.

O impacto das mídias sociais também não pode ser ignorado. E há também o número crescente de desigrejados, que aumenta na mesma proporção da apropriação das mídias sociais pelos evangélicos. Com a possibilidade de se ouvir sermões, fazer estudos e cursos de teologia online, além de bate-papo e discipulado pela internet, aumenta o número de pessoas que se dizem evangélicas mas que não se congregam em uma igreja local. São cristãos virtuais que “freqüentam” igrejas virtuais e têm comunhão virtual com pessoas que nunca realmente chegam a conhecer. Admito o benefício da tecnologia em favor do Reino. Eu mesmo sou professor a quinze anos de um curso de teologia online e sei a benção que pode ser. Mas, não há substituto para a igreja local, para a comunhão real com os santos, para a celebração da Ceia e do batismo, para a oração conjunta, para a leitura em uníssono das Escrituras e para a recitação em conjunto da oração do Pai Nosso, dos Dez Mandamentos. Isto não dá para fazer pela internet. Uma igreja virtual composta de desigrejados não será forte o suficiente em tempos de perseguição.

Eu poderia ainda mencionar a influência do liberalismo teológico, que tem aberto picadas nas igrejas históricas e pentecostais e a falta de maior rapidez e eficiência das igrejas históricas em retomar o crescimento numérico, aproveitando o momento extremamente oportuno no país. Afinal, o cristianismo tem experimentado um crescimento fenomenal no chamado Sul Global, do qual o Brasil faz parte.

Algumas coisas me ocorrem diante deste quadro, quando tento organizar minha cabeça e entender o que se passa.

1 – Historicamente, as igrejas cristãs em todos os lugares aqui neste mundo atravessaram períodos de grande confusão, aridez e decadência espiritual. Depois, ergueram-se e experimentaram períodos de grande efervescência e eficácia espiritual, chegando a mudar países. Pode ser que estejamos a caminho do fundo do poço, mas não perderemos a esperança. A promessa de Jesus quanto à Sua Igreja (Mateus 16:18) e a história dos avivamentos espirituais nos dão confiança.

2 – Apesar de toda a mistura de erro e verdade que testemunhamos na sincretização cada vez maior das igrejas, é inegável que Deus tem agido salvadoramente e não são poucos os que têm sido chamados das trevas para a luz, regenerados e justificados mediante a fé em Cristo Jesus, apesar das ênfases erradas, das distorções doutrinárias e da negligência das grandes doutrinas da graça. Ainda assim, parece que o Espírito Santo se compraz em usar o mínimo de verdade que encontra, mesmo em igrejas com pouca luz, na salvação dos eleitos. Não digo isto para justificar o erro. É apenas uma constatação da misericórdia de Deus e da nossa corrupção. Se a salvação fosse pela precisão doutrinária em todos os pontos da teologia cristã, nenhum de nós seria salvo.

3 –  Deus sempre surpreende o Seu povo. É totalmente impossível antecipar as guinadas na história da Igreja. Muito menos, fazer com que aconteçam. Há fatores em operação que estão muito acima dos poderes humanos. Resta-nos ser fiéis à Palavra de Deus, pregar o Evangelho completo – expositivamente, de preferência – viver uma vida reta e santa, usar de todos os recursos lícitos para propagar o Reino e plantar igrejas bíblicas e orar para que nosso Deus seja misericordioso com os seus eleitos, com a Sua igreja, com aqueles que Ele predestinou antes da fundação do mundo e soberanamente chamou pela Sua graça, pela pregação do Evangelho.

terça-feira, 22 de abril de 2014

A relevância da Palavra de Deus para a vida da igreja. 2 Reis 22:1-13- 23:1-3




Os órgãos de pesquisa brasileiros apontam para o crescimento daqueles que se declaram cristãos, e daqueles especialmente que se apresentam como cristãos evangélicos. O número de evangélicos no Brasil aumentou 61,45% em 10 anos, segundo dados do Censo Demográfico divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos, ou 15,4% da população. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros. Em 1991, o percentual de evangélicos era de 9% e, em 1980, de 6,6%. Alguns afirmam que já são mais de 50 milhões de evangélicos no país.
A igreja Brasileira tem uma torre alta, mas um alicerce raso. Somos templos cheios de pessoas vazias.
Isso não é para ser comemorado, pois o grande problema é que estamos inchando, mas não estamos crescendo. O que eu quero dizer com isso? Quero afirmar que a igreja hodierna está mergulhada na superficialidade.
Essa superficialidade é fácil de ser constatada não apenas pelo aumento de escândalos envolvendo aqueles que se dizem cristão, até porque, com o aumento de pessoas nesse seguimento, é claro que aumentaria o número de casos, mas pelo fato de que somos a geração que menos conhece a Bíblia, e olha que o problema não é falta dela no mercado. Existem igrejas que quase imploram para os crentes irem a EBD.
Outro aspecto que mostra essa superficialidade é a necessidade de novos movimentos a cada dia dentro da igreja. Hoje não basta ter a programação normal da igreja, temos que ter retiros, conferências, aniversários, modas vindas do exterior, jogo de luz, boate gospel para os jovens, e por ai vai.
Não podemos fechar nossos olhos, nossas instituições não vão bem, a igreja não está bem. Paz, Paz asseveram os falsos profetas! Alegrem-se, estamos crescendo, somos respeitados, nossos cantores vão agora à rede Globo, que benção!
MENTIRA! Se somos aceitos é porque somos iguais, já deixamos de ser sal, nos esquecemos de ser luz.
Atentarmos para essa realidade não é o suficiente, precisamos ir além desta constatação. Faz-se necessário identificarmos o motivo que levou a igreja a esse estado deplorável. E o principal motivo para essa situação é que a igreja se afastou das Escrituras.  A culpa não é do diabo, a culpa é nossa. A igreja mudou sua atitude para com Bíblia. Nos primórdios encontramos referencias que afirmam que a igreja vivia segundo aquilo que lhe havia sido transmitida por Cristo e por seus apóstolos. (I Cor. 11:23/ Atos 2:42).
Alguns movimentos teológicos como o liberalismo teológico, a neo-ortodoxia, fizeram que a Bíblia perdesse seu valor. Disso surgem então os movimentos que enfatizam muito mais as experiências pessoais, místicas do que a própria Escritura. Isso é fácil perceber quando analisamos que atitudes como “andar como leão”, “sapatear”, “cair no espírito” são mais valorizados do que um estudo sério das Escrituras. Talvez isso aconteça por que, “andar como leão”, “sapatear”, “cair no espírito”, não exige mudança de atitude, mas conhecer a Bíblia sim.
Martyn Lloyde Jones, pastor galês afirmou: “Não podemos depender exclusivamente das experiências subjetivas, porquanto existem maus espíritos tanto quanto existem espíritos bons; e também há experiências espúrias. Na Bíblia, portanto, é onde encontramos nossa única autoridade.”
Sobre a necessidade urgente de voltarmos às Escrituras é que quero meditar com os irmãos nessa noite, olhando para o texto base que lemos.
Precisamos antes fazer uma explanação da situação de Jerusalém e Judá. Depois do reino dividido houve 19 reis e uma rainha, alguns foram bons e tementes a Deus, outros foram maus e levaram o povo ao pecado.
Josias foi um rei bom, temente ao Senhor. A maior qualificação de Josias, não foi ser um grande líder militar como Davi, ou um grande sábio como Salomão, o grande diferencial de seu reinado foi que nele é que foi achado o livro da lei de Deus.
A maior marca de um obreiro é o quanto ele conhece e pratica as Escrituras. Não é seu terno, ou sapato, mas o quanto ele tem de Deus.
Dessa parte da história é que gostaria de meditar sobre o porquê da relevância da palavra de Deus para a vida da igreja.
1º A irrelevância com a Bíblia proporciona o distanciamento do povo para com Deus. 2 Reis 22:8.
Se olharmos para a história dos reis antecessores a Josias perceberemos que o último rei justo antes dele foi Ezequias, logo após veio o reinado de Manassés que governou por 52 anos, em seguida Amom reinou 2 anos, e por fim o livro foi achado no 18º ano do reinado de Josias, portanto o livro ficou 72 anos sumido.
Ninguém perguntou sobre o livro? Nenhum sacerdote, rei ou alguém do povo perguntou sobre o livro? Aqui encontramos o motivo do povo de Judá ter irritado tanto a Deus, e ter-se afastado tanto de seu criador. A ausência do livro da lei em seu meio.
Se observarmos 2 Reis 21: 2,3,6,9 perceberemos quão profunda era a situação pecaminosa daquele povo. Sua idolatria os levou a queimar seus próprios filhos, a começar pelo próprio rei Manassés. Tornaram-se praticantes da feitiçaria e piores do que as nações que os cercavam.
No reinado de Amom não foi diferente, a ausência do livro fez com que ele andasse nos mesmo passos de seu pai Manassés 2 Reis 21:20-22.
O que me chama atenção nessa porção da Escritura é que o livro da lei foi encontrado dentro do templo, logo podemos concluir que ele havia sumido ali também. Perceba que o livro foi encontrado dentro do templo, isso nos mostra como o desinteresse era grande.
Amados irmãos, essa é a realidade que vivemos hoje, quantas igrejas e movimentos estão distantes de Deus, pelos simples motivo de que a Bíblia não está neles. Afirmou Martinho Lutero: Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias.
Por falta de “Bíblia” em algumas academias teológicas temos vivido tempos onde poucos pregadores de qualidade têm aparecido. O problema é que não faltam contadores de histórias, criadores de fábulas, acendedores de fogo estranho, divulgadores de ministérios da esquisitice, animadores de palco e promotores do entretenimento.
Por falta de Bíblia, está faltando João Batista, Paulo, Pedro, Jonatas Edwards, Spurgeon Lloyd-Jones. Mas está sobrando Felicianos, Malafaias, Renes, e toda essa corja de inimigos do Reino.
Quando falta Bíblia, sobram encantadores de serpentes. A falta de conhecimento Bíblico tem feito à igreja brasileira cair nesse conto de fada oferecido por Mike Murdock e Morris Cerullo.
Obreiros quando estivermos a oportunidade de pregarmos precisamos oferecer Bíblia ao povo, eles precisam vir a igreja e encontrar a Palavra de Deus. Queridos nesses dias nos preocupamos tanto com a gravata o terno que usaremos a noite, com o título que aparecerá antes do nosso nome nos cartazes dos eventos que pregaremos, e nos esquecemos do fundamental, a saber, a intimidade com a Palavra.
Preocupamos-nos com a beleza do templo, com ar condicionado, com a cadeira estofada, com a ornamentação e nos esquecemos de que isso não é nada frente à beleza das Escrituras. São elas que produzem vida, santificação, libertação e conhecimento de Deus.
2º A Bíblia é relevante porque produz mudança de atitude. 2 Reis 22:11.
Ao lermos o começo da história desse rei chamado Josias não poderemos negar que seu coração foi inclinado a Deus desde o começo de seu reinado. Aos 26 anos esse jovem rei resolve reformar o templo, porém isso não demonstra que ele era de fato covertido a Deus. Já dizia o ditado, de boas intenções o inferno está cheio.
Perceba que a reforma do templo começou antes mesmo de ser encontrado o livro da lei, mas a reforma religiosa somente ocorre depois desse encontro e da Palavra de Deus para o rei. Compare o capítulo 22:8-20 e 23:1.
Isso ocorre porque somente a Palavra de Deus pode promover aquilo que vem de Deus. Reformar o templo muitas vezes não é o interesse de Deus, até porque Deus esta interessado muito mais no coração do homem e em sua salvação do que em templos feitos por mãos humanas, que de maneira nenhuma podem ser suficientes para aquele que tem todo o céu como sua moradia. A preocupação com templo muitas vezes não vem de Deus, mas dos homens.
Atitudes como humilhação, conversão, santificação somente podem ser transmitidas por Deus e Ele escolheu um método para isso, esse método é a pregação de sua palavra. Perceba que foi a Palavra de Deus que produziu:
- Humilhação. 22:11.
- Conversão. 23:3.
- Abandono de maus costumes. 23:12
Não são leis, estatutos, regras de conduta que levam uma pessoa a mudar suas atitudes, mas o conhecimento da Palavra de Deus. Sem conhecermos as escrituras vivemos errando.
Estatutos, tradições da igreja e dogmas tem sua validade, mas quando eles estão em desacordo com a Palavra de Deus devem ser repudiados, mesmo que tenha sido qualquer patriarca humano que os tenha instituído, ou convenção que tenha proposto.
Outro ponto interessante é que a devoção começou pelo cabeça do povo 23:1-2. Os grandes problemas na igreja brasileira ocorrem porque muitos cabeças estão doentes. Mas também os grandes avivamentos surgem quando homens se dispõem a viver uma vida conforme as Escrituras.
Foi assim com, Josias, os líderes e todos os homens de Judá. Eles marcaram sua geração porque colocaram o Livro da Lei de Deus em seu devido lugar. Porém, em nossos dias muitos querem ser lembrados pelo barulho que produziram. Precisamos ser lembrados porque pregamos a Palavra, simplesmente a Palavra.
Frequentemente encontramos igrejas que querem o crescimento a qualquer custo, para isso, vivem a correr atrás do novo modelo ou método de crescimento da igreja, porém elas não entendem que não é o método que irá fazer a diferença. Nem G 12 , M12, MDA (Ak 47 ou M 16), o que transforma a sociedade é a Palavra. Nem dança, nem teatro, nem o louvor, o que transforma é a Palavra. Porém, não é qualquer palavra ou uma mera filosofia.
A palavra que transforma não advém da sabedoria humana, mas do “Logos” de Deus, do Cristo, portanto é uma Palavra vinda de Deus que tem o poder transformador.
3º A Bíblia é relevante porque produz um culto verdadeiro e aceitável a Deus. 2 Reis 23:4,15 e 24.
O livro da lei havia sumido, então surge um problema que é consequência da falta dele. Os falsos cultos e falsos sacerdotes. Pela ausência do livro da lei o culto idólatra tomou conta da nação.
Havia culto a Baal, ao sol, a lua, aos exércitos celestes. E não somente isso, mas o sincretismo religioso onde a mistura de judaísmo e paganismo é encontrado por haver a existência de um poste sagrado dentro do templo.
E o que vivemos hoje em algumas igrejas? Não seria algum tipo de sincretismo? Tantas inovações que encontramos nos últimos tempos na igreja brasileira. Conheço igrejas que tiram as cadeiras de suas igrejas e montam pista de skate ou tatames para á pratica de artes marciais para os jovens “adorarem a Deus”.
Cultos totalmente egocêntricos, onde Deus é esquecido e somente o homem e suas necessidades são lembradas. Hinos que não glorificam a Deus, que não adoram a Deus, mas ao homem. Eu quero, eu decido, eu decreto, mas se esquecem que o homem não é nada, e que somente a vontade soberana de Deus é que se realiza.
Por não conhecermos a Palavra é que cantamos mentiras em nome de Deus. Deus é fiel, fiel a mim. Mas a Bíblia afirma que Ele permanece fiel a si mesmo ( 2 Tm. 2:11-13). Eu não morrerei enquanto a promessa não se cumprir, quem tem promessa não morre não. (Hebreus 11:13).  No tempo da calamidade, Sabor de mel, e os mêlos da vingança, em nenhum momento reproduzem a Palavra de Deus.
A falta do livro da lei atrapalhou o verdadeiro culto, mas também ofereceu a oportunidade do surgimento de falsos sacerdotes. Da mesma maneira em nossos dias vivemos essa realidade.
Precisamos buscar as qualificações apresentadas por Paulo em Timóteo 3 e Tito 1:5-9, e expor os falsos obreiros que estão enganando os filhos de Deus. Paulo nos instrui ao que deve ser feitos com eles. TITO 1:10-11 “Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão. É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisas que não devem, e tudo por ganância.”
Ao encontrar o livro, o rei percebeu o engano que eles estavam vivendo, sua atitude foi de instituir o culto verdadeiro, ao Deus verdadeiro.
Dias atrás estava em um taxi e o cidadão disse que estava abençoado porque uns minutos antes uma macumbeira havia saído do carro e agora estava um crente, e ele era católico e o que importava era que todos buscavam o mesmo Deus, porém eu afirmei a ele, não é uma questão de buscar a Deus, mas de buscá-lo, servi-lo e adorá-lo da maneira correta. E essa maneira está registrada na Bíblia.
4º A Bíblia é relevante porque produz Famílias abençoadas. 2 Reis 23:10.
A falta do livro trouxe somente desgraça dentro das famílias de Judá. Como sei disso? A bíblia relata isso. Observe o texto em 23:10. A idolatria daquele povo fez com que eles queimassem seus próprios filhos a o deus Moloque. Quantas famílias foram destruídas por essa atitude animalesca?
Muitos casamentos estão por um fio de cabelo pelo fato de que a Bíblia não faz parte da vida do casal. Mas garanto que o BBB, a novela, e o facebook são atividades diárias. O segredo de um casamento sadio é encontrado dentro das Escrituras, leia Provérbios 18:22, 1 Coríntios 13: 4-7, 2 Coríntios 6: 14, Efésios 5:22-33, 1 Pedro 3:1-7 e outros.
Não sabe lidar com filhos? Que tal buscar orientação nas Escrituras? Não sabe se aquele rapaz é para casar, será que ele tem os requisitos de um homem de Deus?
Não é campanha que vai libertar sua família. Não é a unção nas paredes, cachorro, papagaio, é a Palavra de Deus. Pela vivência das Escrituras, pela prática das Escrituras que haverá a libertação. È conhecendo a Palavra que a libertação vem.
Quer ver sua família transformada? Deixe Cristo, o Logos, ser manifestado por suas atitudes.
Um fato interessante é que quando vivemos segundo o padrão bíblico até mesmo aqueles que nos cercam são abençoados. No 23:15-20 relata que até no território de Israel as reformas feitas por Josias chegaram. Isso aponta para a seguinte verdade: quando vivemos a Palavra de Deus até os que nos cercam são abençoados.
Ao vivermos o que a Bíblia nos ensina produzimos um lar segundo aquilo que Ele deseja, esse é o segredo de uma vida familiar equilibrada. A felicidade não está em ter ou ser. A felicidade esta em sermos conhecedores e praticantes das sagradas Escrituras.
5º A Bíblia é relevante porque nos proporciona o entendimento correto sobre o sacrifício de Cristo. 2 Reis 23:21.
Passaram-se 72 anos sem o livro da lei, e o mesmo tempo sem a páscoa. Ao encontrar o livro da lei com certeza foi lido ao rei sobre a ordenança de Deus de o povo hebreu realizar a páscoa, ao saber disso, ele não titubeou, ordenou que a páscoa fosse celebrada. O texto nos afirma que nem no tempo dos juízes uma páscoa como essa havia sido realizada.
Uma coisa está relacionada à outra. A Bíblia e o entendimento correto sobre o Cristo sempre andam juntos. Nesses dias encontramos um Cristo que está sendo apresentado que de maneira nenhuma é o apresentado nas Escrituras.
O Jesus apresentado por alguns parece muito mais um dono de um banco, um gênio da lâmpada ou a fada mágica, do que o Cristo salvador. Quando falta Bíblia falta a compreensão correto sobre o Cristo.
São as páginas das Escrituras que revelam o Filho de Deus, é por meio delas que aprendemos qual foi sua função enquanto esteve encarnado. Mesmo na época da páscoa existem cristãos que ficam com medo de comemorá-la por achar que é uma festa pagã, sinal de quem não conhecem as Escrituras.
E ainda existem seguimentos evangélicos que tem comemorado uma páscoa como as leis judaicas, não compreendendo que Cristo é a verdadeira páscoa, e que aquela ocorrida ainda no Antigo Testamento sob a antiga aliança, era somente sombra do que é superior.
Tudo quanto a antiga lei judaica tinha para oferecer era apenas uma sombra, ou representação esboçada, dos bens (ainda) vindouros. Os sacrifícios, anualmente repetidos, não tinham o poder de efetuar um benefício permanente para aqueles que por intermédio dos mesmos se achegassem a Deus. Pelo contrário, a sua contínua repetição era, antes de tudo, uma prova de sua própria ineficácia para completar a obra de purificação e, em segundo lugar, um testemunho sobre o fato que aqueles que assim apelavam para os mesmos, não adquiriam, por seu uso, qualquer livramento autêntico do senso de culpa . Pois tais sacrifícios animais jamais têm o poder de remover pecados. Mas, o que eles não puderam fazer, Cristo fez eficazmente.

Em consequência de seu sacrifício consumado, Cristo acha-se entronizado e assentado, sinal que Sua obra de oferecimento estava terminada. E, mais ainda, Ele está entronizado no lugar de soberania e poder, à mão direita de Deus, tendo a plena certeza, baseada na própria palavra que o Pai Lhe dirigiu (ver  Sl 110;  Hb 1 .13),.Tudo isso em resultado de Seu sacrifício expiatório único e final, eterno em sua eficácia e que garantiu a perpétua continuação de boas relações com Deus por parte de todos aqueles que por essa oferta foram purificados do pecado e dedicados como povo de Deus.

Por falta de conhecimento das escrituras muitos tem pregados e outros acreditado que precisamos fazer alguma obra para que tenhamos a salvação, ou até que podemos perdê-la se deixarmos de realizar alguma boa obra.

NÃO HÁ MAIS NECESSIDADE NEM LUGAR PARA QUALQUER OUTRA OFERTA PELO PECADO (Hb 10.15-18). É a palavra de Deus que nos garante que não há mais necessidade nem lugar para oferta adicional a fim de garantir a remoção do pecado. Não resta mais lugar para qualquer espécie de oferta pelo pecado, nem de que a única oferta pelo pecado, efetuada por Cristo, seja novamente apresentada a Deus.
A reconciliação não tem de ser efetuada nem completada por qualquer oferta propiciatória extraordinária ou por qualquer memorial do sacrifício de Cristo; ela simplesmente precisa ser recebida, pela fé penitente, como um benefício já completo e posto à disposição do homem, benefício esse baseado na obra terminada de Cristo.
Conclusão:
Não nos restam dúvidas, precisamos nos voltar novamente para as Escrituras. Primeiro, porque a Bíblia é nosso padrão de fé e prática, e somente ela que nos pode dar a direção certa para a vida cotidiana. Além disso, numa época de tantos extremos como este em que vivemos, é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece. Segundo, pois somente conhecendo as Escrituras não cairemos nas mãos de enganadores, de falsos obreiros e teologias erradas. Terceiro, pois um avivamento verdadeiro somente ocorre quando nos voltarmos com devoção as Escrituras. Até porque não é barulho, nem reações corpóreas, que são marcas incontestáveis de uma verdadeiro avivamento. Um verdadeiro avivamento irá vir da Bíblia e nos fará voltarmos ainda mais para a Bíblia. "Um reavivamento", diz o Dr. Héber de Campos, "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja, certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus".

sexta-feira, 14 de março de 2014

O BRASIL NÃO É MAIS UM CELEIRO MISSIONÁRIO




 Por Leonardo Gonçalves

Conheci a Cristo no final dos anos 90. Minha experiência de conversão se deu em uma igreja batista recém-plantada na minha cidade. Meu batismo e minha experiência de discípulo começou no inicio do ano 2000, na igreja Assembleia de Deus. Eu vivi uma parte do movimento AD2000 (1) e da chamada  “Década da Colheita” (2), e de certa forma toda minha geração foi influenciada por estes movimentos.  Uma e outra vez, escutávamos a frase: “O Brasil é um grande celeiro de missionário”. Por nossa pequena igreja passavam alunos da “Missão Horizontes” falando sobre a janela 10/40 e sobre como o brasileiro gasta mais com Coca-cola do que com o Reino de Deus. Após o culto, nós doávamos aquilo que tínhamos para as missões. Lembro-me de um diácono pobre doando um relógio a um missionário que havia perdido o seu em uma viagem de barco na Amazônia. Lembro-me também de um amigo que constrangido pela necessidade da obra e sem nada para doar, tirou dos pés um par de tênis Nike e colocou sobre o altar, voltando para casa descalço depois do culto. A gente dava o que tinha, e não era por causa de alguma promessa de retorno financeiro (como nas campanhas dos televangelistas atuais), mas simplesmente por amor e desejo de ver o evangelho avançando entre as nações da terra. Os jovens da igreja (e eu era um deles) eram muito ativos: organizavam jograis e teatros com temas missionários, e muitos de nós queríamos ser pastores ou missionários. Hoje, vários daqueles jovens com os quais cresci são pastores, evangelistas, missionários, obreiros em suas igrejas locais, e estão envolvidos de alguma forma com a grande comissão.

UMA IGREJA QUE RESPIRAVA MISSÕES

Mas eu não consigo escrever este texto sem lágrimas nos olhos. Agora mesmo, sinto o peito doer e meus olhos se enchem de água ao me lembrar daqueles dias quando a gente vivia de maneira tão intensa, organizávamos vigílias, acampamentos de oração, visitávamos, evangelizávamos de verdade. Conheço um jovem em Cristo que aos 16 anos tinha uma rotina invejável: Ele fazia semanalmente visitas no hospital da nossa pequena cidade, e saia dali direto para o asilo contrabandeando doces e bíblias para os anciãos com quem passava parte do seu domingo. Por volta das 4 horas da tarde saia dali com outros meninos da sua idade, numa kombi velha da wolksvagen para realizar visitas em uma comunidade rural e "cooperar" com os irmãos de lá. As vezes a Kombi não vinha, e eles faziam o trajeto de 18 quilômetros de bicicleta. Quando chegavam a cidade novamente, era para tomar um banho e ir ao culto, ansiosos por ouvir a Palavra pregada e dispostos a participar, seja cantando, pregando, limpando ou fazendo qualquer outra coisa na igreja local. Durante a semana, ele e outros eram voluntários no “Desafio Jovem Liberdade” – centro de recuperação para usuários de drogas – muitas vezes saindo do trabalho direto para lá, para ensinar violão, passar algum tempo de comunhão com os internos e pregar no culto da noite. Esses rapazes respiravam missões.  

Na época, surgiam seminários com cursos rápidos, em média 2 anos, em regime de internato, onde a ênfase não era apenas preparar teólogos, mas obreiros. Trabalhavam-se questões como caráter, perseverança, domínio próprio, obediência, e grande parte das disciplinas do curso eram de viés missionário. Éramos confrontados com as biografias de William Carey, David Brainerd, Hudson Taylor, Adoniran Judson, George Miller, e nos inspirávamos neles. Criticava-se o modelo de seminário que formava apenas teólogos e falava-se muito em vocação ministerial. Escutávamos uma e outra vez que ser pastor é um dom e não uma profissão, e que o ministério é muito mais dar do que receber. O ponto alto das aulas era quando por lá passava algum missionário em transito, e contava as experiências vividas naquela terra desconhecida. Lembro-me de ter ouvido um desses missionários falando sobre o país dos Incas, e de como me senti desafiado pelo testemunho daquele jovem obreiro. À noite, enquanto orava por aquele país, discerni claramente a voz de Deus falando fortemente ao meu coração: “Eu te levarei ao Peru!”. Cai em pranto, sentindo um misto de temor e imensa alegria, pelo peso da responsabilidade e pela honra recebida. Sai do meu país em 2003, quando ainda se vivia a ressaca destes movimentos.

JOVENS QUE NÃO ALMEJAM O MINISTÉRIO

Hoje a igreja evangélica definitivamente não é a mesma. Ela nem sequer se parece com aquela igreja de 15 anos atrás. Cada vez que viajo ao Brasil, fico absorto com a secularização cada vez maior da igreja. Vejo uma igreja rica, muito rica, mas tremendamente ensimesmada. Em círculos tradicionais e na ala pentecostal clássica, pouco se fala em evangelismo e missões. Já os neopentecostais distorceram o conceito de evangelismo e missões transformando a igreja em uma pirâmide e implementando visões celulares das mais absurdas, substituindo paixão missionária por obediência cega a um líder autoritário. Se antes os jovens desejavam o ministério, a geração atual foge dele. É comum ver rapazes de moças de vinte e poucos anos com altos salários, comprando carros importados, fundando empresas, empreendendo e ganhando muito dinheiro. Os pastores destas igrejas sofrem, pois tem que se desdobrar em mil ofícios para atender as necessidades do rebanho, já que ninguém quer se envolver no ministério e sacrificar as horas de descanso para cuidar das necessidades alheias. Alguns poucos ainda ousam se envolver com missões, mas raramente em tempo integral. Ao invés disso, doam parte das suas férias para servir em algum país exótico, e passam 4 ou 5 dias visitando alguma igreja local,  e o resto das férias em alguma praia paradisíaca do Índico ou do Pacífico. Não trabalham nada, mas tiram umas quinhentas fotos com crianças locais e chegam a suas igrejas com testemunhos fantasmagóricos acerca de como salvaram o mundo em seis dias e ensinaram os pastores e missionários locais a pastorearem suas igrejas. 

MISSIÓLOGOS DE INTERNET QUE NUNCA SE ENVOLVERAM COM MISSOES

O conceito de missão tem sido banalizado por uma geração hedonista mais preocupada com seus prazeres do que com glorificar o Cristo entre as nações. Para justificar sua falta de coragem para encarar o campo missionário, criam-se as mais distintas agencias missionárias, muitas das quais não enviam e nem sustentam nenhum missionário, dedicando-se apenas a recrutar voluntários para viagens de ferias, exatamente do tipo que mencionei no último parágrafo. Diga-se de passagem, o dinheiro gasto por uma equipe de voluntários de férias, se fosse doado integralmente a alguma missão séria que trabalhe entre os autóctones, daria para sustentar cerca de 10 obreiros durante um ano. Crer que 20 brasileiros em uma semana podem fazer um melhor trabalho que um obreiro nacional em um ano é um sofisma, mas parece ser este o pensamento predominante nessas missões recém-criadas no Brasil (as exceções conformam a regra).

Embora não estejamos mais tão engajados com missões transculturais, nunca tivemos tantos “ESPECIALISTAS” em missões! Meninos de vinte anos, com pouca ou nenhuma formação teológica, sem experiência de vida ou ministério e cujo maior esforço missionário foi falar de Jesus para o colega de classe, editam blogs e vlogs, dão opiniões e organizam conferencias missionárias onde eles mesmos são os preletores. Recentemente um desses palpiteiros da internet, um garoto de 20 anos, escreveu um livro sobre missões. Muita gente elogiou a atitude do rapaz e não encontrei ninguém, nem mesmo entre a velha guarda evangélica (que também é ativa nas redes sociais) para colocar freio na arrogância do moleque que escreveu suas 120 paginas sobre um assunto que ele nunca experimentou de fato. Há algum tempo recebi duas equipes de voluntários na cidade de Piura, onde desde 2008 temos desenvolvido alguns projetos missionários. Um dos rapazes que nos visitou, ainda nem tinha barba no rosto, mas logo se apresentou como consultor em missões. Segundo ele, varias igrejas no Brasil contam com seus conhecimentos de consultoria. Isso me parece estranho, se considerarmos que ele nunca foi missionário de fato, apenas participou de algumas palestras com ênfase na famigerada e pouco eficaz Missão Integral (3). Recebi deste garoto que nunca fez missões, diversos conselhos sobre como treinar meus obreiros e torná-los mais efetivos. Outros chegam já satanizando a cultura, tendo visões esquisitas acerca de demônios territoriais e correntes que estão aprisionando nossa igreja e missão, algo muito esquisito e sem bases bíblicas em minha opinião. 

UMA JUVENTUDE QUE QUER ENSINAR, MAS NÃO SE PRONTIFICA A APRENDER

Durante os dois últimos meses visitei varias igrejas no Brasil e por onde passei, desafiei pessoas para virem ao campo missionário no Peru, e o máximo que consegui foram uns garotos meio-hippies dispostos a vir salvar o mundo em uma semana e ensinar os pastores a pastorear suas igrejas. Todos os rapazes com quem falei queriam vir e ditar seminários, palestras, conferências, treinamento para pastores, e não atentavam para o ridículo das suas propostas, já que eles mesmos nunca pastorearam nem suas próprias famílias. No entanto, nenhum deles se mostrou disposto a passar ao menos um ano trabalhando de forma sistemática e fiel junto aos nativos, participando da vida, da luta e das dores do povo, compartilhando a comida e vivendo a verdadeira essência da missão. Todos queriam ensinar, ninguém estava disposto a viver. Todos queriam vir e impor; ninguém estava disposto a vir, viver e receber. Todos queriam formar obreiros, ninguém queria ser formado como obreiro. Todos queriam vir correndo e voltar; ninguém estava disposto a vir e permanecer. Cada um tinha uma visão diferente para a igreja peruana, mesmo sem ter conhecido de perto este campo missionário. Todos tinham receitas exatas para fortalecer o ministério local, mas ninguém queria servir no ministério. Muitos reis, nenhum servo. Como diria o pastor Kolenda, de saudosa memória, simplesmente “muito cacique para pouco índio”.

UMA IGREJA SECULARIZADA QUE NÃO AMA MISSOES

Não posso dizer exatamente onde foi que a igreja errou (não se preocupem, deve ter algum conferencista de vinte anos capaz de decifrar este mistério!). Porém, mesmo sem saber exatamente, acredito que alguns fatores são visíveis e fáceis de discernir: economia estável, bons empregos, oportunidade de fazer duas, três, quatro faculdades, anos de pregação antropocêntrica que exclui o sacrifício como parte da experiência cristã, tudo isso contribuiu para uma horrível secularização da igreja. Se eu fosse dispensacionalista, não teria dificuldade em aceitar que a igreja está vivendo a “Era de Laodicéia”. A igreja de Laodiceia e a igreja brasileira são irmãs: As duas são ricas materialmente, ensimesmadas, autossuficientes. As duas estão corroídas pelo pecado, empobrecidas de galardão e cegas quanto a sua real situação.  Se há algumas décadas dizia-se que o Brasil era um celeiro de missões, hoje tenho certeza que este título deve pertencer a algum outro país: China, Índia, Coreia do Sul, talvez... Mas definitivamente, esse título já não se pode aplicar ao Brasil.

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Leonardo Gonçalves é missionario há 11 anos. Neste período ajudou a plantar e consolidar igrejas no Brasil, Argentina (Patagonia e provincia de missiones), e no norte de Peru. Desde 2008 vive na cidade de Piura, envolvendo-se na plantação de 7 igrejas autóctones. O Projeto Piura sustenta hoje 6 obreiros autoctones e ajuda a 60 crianças provindas de comunidades carentes do Peru.

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NOTAS:
1. O Movimento Ano 2000 (AD 2000) surgiu de uma reunião em janeiro de 1989, em Singapura, onde foi realiazada uma Consulta Global de Evangelização Mundial para o ano 2000 e Além. Esta consulta deu origem ao movimento denominado AD 2000, cujo enfoque eram os povos não alcançados da chamada ‘janela 10/40’.
2. A Década da Colheita foi o resultado de um encontro de líderes das Assembleias de realizado nos Estados Unidos, em 1988. Foram também estabelecidas metas bem claras para a AD no Brasil, para serem alcançadas até o ano 2000: (1) Levantar um exército de três milhões de intercessores; (2) Ganhar 50 milhões de almas para Cristo; (3) Preparar 100 mil obreiros dispostos a trabalhar na seara do Mestre. (4) Estabelecer 50 mil novas igrejas em todo o Brasil; e (5) Enviar novos missionários para outras nações.
3. Não é que eu me oponha totalmente a Missão Integral. Minha crítica a este movimento pode ser resumida em poucos pontos: (1) A terminologia Missão Integral é, por si, uma redundância. Se é missão cristã, deve ser integral, e se não for integral (no sentido de total), não é missão. (2) Os promotores da Missão Integral no Brasil parecem se inspirar mais no marxismo do que na Bíblia. Um dos líderes desse movimento chega a apresentar o comunismo como uma ideia bíblica de comunidade. Ora, confundir comunidade cristã com uma ideologia que foi responsável por milhões de mortes no mundo, incluindo muitos cristãos, é uma boçalidade. (3) O discurso da Missão Integral tem servido de plataforma política para ideias esquerdistas, e sua super-ênfase no social tem levado alguns a pregar um conceito que beira a salvação pelas obras, algo abominável do ponto de vista bíblico. (4) Nunca vi um leprosário criado ou mantido por adeptos da Missão Integral.